O que diz o WhatsApp?

Servio admite que foi utilizado para a disseminao em massa de mensagens durante a disputa eleitoral de 2018

E agora é oficial: o WhatsApp admitiu, pela primeira vez, que a eleição brasileira de 2018 teve o uso de envio maciço de mensagens, por meio de sistemas automatizados contratados por empresas. A estratégia, que fere as regras de utilização da ferramenta, teve como meta alcançar o maior número possível de pessoas. Essa foi a afirmação de Ben Supple, que é o gerente de políticas públicas e de eleições globais do WhatsApp, em uma palestra no Festival Gabo.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proíbe o disparo em massa de mensagens a partir de 'robôs', de sistemas automatizados.

O WhatsApp foi o principal canal de envio de fake news durante a eleição presidencial, diferentemente do ocorrido dois anos antes na eleição norte-americana, quando o Facebook foi a rede social mais empregada para a disseminação de mentiras e boatos.

"Na eleição brasileira do ano passado houve a atuação de empresas fornecedoras de envios maciços de mensagens, que violaram nossos termos de uso para atingir um grande número de pessoas", afirmou Supple.

Reportagens da Folha de S. Paulo, publicadas em 2018, mostram que empresários impulsionaram o disparo de mensagens contra o PT, que tinha o candidato Fernando Haddad no páreo pelo Palácio do Planalto contra Jair Bolsonaro (PSL). O Partido dos Trabalhadores, segundo o jornal, também fez disparo em massa de mensagens.

"Sabemos que as eleições podem ser vencidas ou perdidas no WhatsApp", disse o gerente.

Para evitar esse processo de disseminação de mentiras, o WhatsApp bloqueou milhares de números e limitou a cinco o número máximo de encaminhamentos.

Um estudo da Universidade de Nova York aponta que, na disputa pela Casa Branca de 2020, a rede Instagram será a ferramenta com o maior potencial para espalhar fake news. E com tecnologias de ponta, como o deep fake -- trata-se de uma gravação feita com uso de inteligência artificial, que produz vídeos realistas, que mostram pessoas fazendo e falando coisas que nunca fizeram na vida real.

Como se vê, a tendência é que o fenômeno das fake news avance, aproveitando novas tecnologias e aprimorando a indústria que põe a democracia global em risco, ao hackear a opinião pública.

Até aqui, o poder público ainda, infelizmente, está longe de oferecer uma resposta à altura ao tsunami de mentiras. Além do reforço das leis, os melhores remédios para essa praga são: a educação e informação de qualidade..

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