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A estrada da ignorncia

Com Bolsonaro na direo, pas discute retirar radares e eliminar aulas para tirar CNH. a estrada da ignorncia

Brasília. Uma Brasília velha, com a lataria enferrujada, castigada e carcomida pelas intempéries do tempo, com estofado em frangalhos, o motor quase fundido e dispendioso (ele bebe demais!), o escapamento em péssimo estado e os pneus carecas de saber: é preciso trocar os freios, pois está indo ladeira abaixo! Este foi, fazendo uma analogia com os automóveis, o Brasil que o pesselista Jair Bolsonaro passou a dirigir no dia 1º de janeiro de 2019. Já não era uma Brasília em bom estado, como bem sabe a sociedade brasileira, que viu ali do banco do carona um automóvel que quase deu PT e atravessou por estradas temerárias ao longo dos últimos anos, com vazamentos que custaram bilhões e bilhões de reais, principalmente na Petrobras. Lava Jato mostrou que Brasília tinha graves problemas estruturais, era uma sopa de letrinhas indigestas, como PSDB, MDB, PP, PTB, DEM, PSL e tantas outras, que engasgavam a bomba de combustível. À beira do ferro-velho, o automóvel mudou de mãos. E agora?

Bolsonaro prometeu aos eleitores que a velha política não teria espaço no carro. Será? Que nada, ela nunca deixou seu lugar privilegiado. Com Bolsonaro ao volante, essa Brasília sairá do lugar?

Ele, que já se declarou contrário à exigência de aulas para que os motoristas tirem sua habilitação, tem se mostrado habilitado para dirigir esse país em um momento tão crítico, por uma estrada tão esburacada?

Em suas próprias palavras, Bolsonaro já admitiu: 'Não nasci para ser presidente, nasci para ser militar'. É notória e evidente a inaptidão do pesselista para a função, devido à falta de um projeto claro de país, à agenda monotônica que (já de olho na eleição de 2022) dedica-se às pautas morais, ao triste espetáculo diário das declarações esdrúxulas que apequenam a Presidência da República, ao governo que mais parece uma Torre de Babel (onde ninguém se entende, todo mundo acha que é presidente e sobra canelada para todos os lados), e isso sem citar 'laranjas', Queiroz, nepotismo, e outros fantasmas (bem pesados, diga-se) que estão no porta-malas.

Obviamente, como os fatos deixam bastante claro (os fatos, não os boatos ou 'balelas de Twitter'), este é só um resumo, bem breve, do atual governo, porém há ainda muitos outros exemplos.

A Brasília precisa ir para a oficina, é fato. É válido que se discuta a reforma da Previdência, Tributária, Política -- apesar do governo mais prejudicar do que ajudar, como deixou claro o senador tucano Tasso Jereissati, relator da reforma previdenciária no Senado: 'Quanto mais calado Bolsonaro ficar, melhor para a reforma'.

A língua de Bolsonaro é um risco ao Brasil. E por falar nela...

O presidente, que como motorista tem em sua ficha uma série de infrações (incluindo excesso de velocidade), promete agora retirar os radares das rodovias federais a partir da próxima semana, apesar do alerta feito por especialistas: a medida não tem respaldo técnico e acarretará no aumento do número de acidentes fatais.

Ao volante, Bolsonaro ignora as placas e os sinais, guiando-nos na obscura estrada da ignorância, da intolerância e do autoritarismo..