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Tsunami da educao

Em meio a mais frases infelizes, Bolsonaro viu cortes na Educao provocarem protestos em mais de 200 cidades

Nesta quarta-feira, o Brasil se viu tomado por uma série de manifestações em mais de duas centenas de cidade. O alvo foi o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), com foco nos cortes anunciados na educação.

Os atos começaram pela manhã e ganharam força no período da tarde, após concentração maior e, também, após declarações impensáveis do presidente, que viajou aos Estados Unidos.

É claro que, dentro de cada protesto, sempre há quem tente se aproveitar para colocar outros temas e garantir que a política não seja deixada de lado. Mas os motivos centrais são justos, e o presidente precisa entender que com certas áreas não se mexe.

A declaração de que os manifestantes são "idiotas úteis" e todos "militantes e "massa de manobra" mostra que Bolsonaro, como infelizmente ainda não cansou de fazer nesses primeiros meses de governo, ainda se perde muito nas palavras.

Note bem as palavras exatas. "A maioria ali é militante, não tem nada na cabeça. Se perguntar 7x8, ele não sabe. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais", disse o presidente.

Um pouco mais de tato na resposta seria bem visto, mesmo que as polêmicas ações já estejam decretadas. Como um político quer respeito da população se o próprio não sabe lidar com ela?

Enquanto protestos tomavam as ruas e o presidente estava nos Estados Unidos, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, falava na Câmara dos Deputados para tentar explicar o corte de verbas. Falou, falou, falou e não explicou nada -- algo que também já virou comum entre os aliados do presidente.

Bolsonaro até pode crer que tem boa intenção, mas é difícil acreditar em quem acha que precisa tirar força de cursos como Filosofia e Sociologia para evitar uma espécie de doutrinação esquerdista no país. É algo insano e impensável até de se ler.

É torcer para que o governo, como já fez tantas vezes este ano, volte atrás nos cortes. Educação deve ser prioridade, neste e em qualquer governo. É um direito básico de qualquer ser humano..