Setor industrial do Vale é um dos mais afetados pela crise econômica derivada da pandemia

O setor industrial do Vale do Paraíba vem passando por uma espécie de ‘terremoto’ desde o início deste ano, com reflexos contínuos ainda nesta última semana, como camadas de um movimento tectônico econômico.

O primeiro abalo foi a decisão da Ford de anunciar a saída do Brasil, fechando todas as suas fábricas no país, incluindo a de Taubaté.

Desde então, as más notícias proliferaram e, na última semana, foi a vez da empresa sul-coreana LG anunciar o fechamento da unidade que produzia smartphones na fábrica de Taubaté. O setor enfrenta prejuízos seguidos há seis anos, justificou a marca.

Logo em seguida, a mesma LG informou que irá transferir a produção de monitores e de notebooks de Taubaté para Manaus, no estado do Amazonas, para ter acesso a benefícios fiscais na zona franca.

O efeito direto desses ‘abalos sísmicos econômicos’ é a ameaça a cerca de 2.000 postos de trabalho na região, sendo 830 na Ford, 700 na LG e mais 430 em empresas fornecedoras exclusivas da companhia coreana em São José dos Campos e Caçapava. Três outras empresas estão com seus empregos ameaçados por causa disso.

Diretor da consultoria Brain Inteligência Estratégica e coordenador da pesquisa sobre a percepção do morador de Taubaté diante da saída da Ford (leia texto nesta página), Fábio Tadeu Araújo classificou o anúncio da montadora como capaz de causar um “forte impacto econômico no país”.

“Vamos tentar construir um acordo para que possa ser apresentado para deliberação dos trabalhadores”, disse Claudio Batista, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté sobre os funcionários da LG que serão demitidos.

O fechamento da Ford e da produção industrial da LG em Taubaté faz parte de um ‘pacote macabro’ que ronda a indústria do Vale desde 2014, auge da crise econômica, e que se acentuou com o coronavírus.

No período de janeiro de 2014 a fevereiro de 2021, a economia da região amarga a perda de 44 mil postos de trabalho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

Desse total, 60% dos cortes ocorreram no setor industrial, que tem saldo negativo de 26,4 mil empregos perdidos desde 2014. A construção civil vem em seguida, mas com 6,7 mil demissões, 15% da totalidade, e bem distante da crise que impacta a indústria.

Taubaté pode levar até dois anos para se recuperar da saída da Ford, diz pesquisa

Pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica em Taubaté entre fevereiro e março de 2021 aponta que, na percepção de moradores, a cidade pode levar até dois anos para se recuperar da saída da montadora Ford, anunciada em janeiro deste ano. O levantamento também revela que a população acredita que as consequências geradas pelo fechamento da montadora devem ter um impacto maior no comércio da região e um impacto menor no mercado imobiliário local. A pesquisa ouviu 247 pessoas entre 23 de fevereiro e 11 de março. O levantamento atinge um nível de confiança de 95%.

Para 31% dos pesquisados, o impacto da saída da Ford será ainda maior e pode durar mais de cinco anos. Por outro lado, apenas 6% acreditam que a perda da fabricante norte-americana não causará impactos.

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