Troca de farpas entre Bolsonaro e Fernndez preocupa economia no Vale

Economista v com preocupao a postura de Bolsonaro ante o argentino recm-eleito, que manifestou apoio a Lula, preso desde o ano passado: "Pode prejudicar a exportao"

Xandu [email protected] | @xandualves10

As farpas trocadas entre o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) e o recém-eleito mandatário da Argentina, Alberto Fernández, deixaram economistas e empresários preocupados na RMVale.

Do campo da esquerda, Fernández, que teve como vice a ex-presidente Cristina Kirchner e derrotou o atual presidente Mauricio Macri, pode ter uma relação conturbada com Bolsonaro.

O presidente brasileiro criticou Fernández que, em seu discurso de vitória, pediu a liberdade para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É um afronto [sic] à democracia brasileira e ao sistema judiciário brasileiro. Ele está afrontando o Brasil de graça", disse Bolsonaro nesta segunda (28), durante visita oficial ao Qatar.

A Argentina é o terceiro maior comprador dos produtos feitos no Vale, e também o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Só perde para Estados Unidos e China.

Enfrentando recessão econômica e instabilidade política, o país vizinho reduziu as importações do Vale neste ano em 34%. No país todo, a retração foi de 39%.

A Argentina deixou de comprar US$ 283,8 milhões em nove meses das empresas do Vale. As exportações para os argentinos chegaram a US$ 542,9 milhões entre janeiro e setembro deste ano, contra US$ 826,7 milhões em 2018.

Sexta maior exportadora para a Argentina no país e primeiro lugar no Vale, Taubaté registrou queda de 36% nas vendas aos argentinos, um recuo de US$ 121,2 milhões.

Membro do Conselho Regional de Economia, Roberto Koga vê com preocupação as declarações de Bolsonaro. "A Argentina é um parceiro comercial importante para nós. Acho que a questão política pode prejudicar essa relação econômica".

Para ele, é preciso cautela e aguardar a posse de Fernández, para conhecer os movimentos de política externa do presidente argentino. Koga diz que rupturas de ambos os lados só trarão prejuízos.

"Os dois países dependem um do outro e não faz sentido a questão ideológica atrapalhar a pauta de exportação."

A principal expectativa é saber a posição de Fernández quanto ao bloco econômico do Mercosul e se a Argentina se manterá no grupo.

Argentina reduz importação de veículos do Vale em 61% no ano, segundo governo

China e Argentina foram as principais responsáveis pela queda nas exportações de produtos no Vale do Paraíba em 2019. Os países são os maiores compradores de petróleo e veículos, respectivamente.

A Argentina comprou 61% a menos em automóveis do Vale neste ano, anotando US$ 217,4 milhões contra US$ 563,6 milhões, em 2018, segundo o Ministério da Economia.

Maior exportadora de veículos do Vale, Taubaté perdeu 35% das exportações neste ano para os argentinos, com US$ 314,9 milhões contra US$ 487,1 milhões. Os chineses reduziram em 35% a importação do petróleo produzido no Vale, com US$ 1,49 bilhão de janeiro a setembro contra US$ 2,30 bilhões em igual período do ano passado.

Principal exportadora de petróleo da região, Ilhabela teve queda de 28% na venda geral do produto, com US$ 2,25 bilhões contra US$ 3,11 bilhões --US$ 860 milhões a menos.

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