Brasil

Gestão Bolsonaro é criminosa, diz Boulos em entrevista a OVALE: 'Show de horrores no Brasil'

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos vê riscos à democracia e pede mobilização para tirar Bolsonaro do poder: 'Espero que seja pelas ruas'

Xandu Alves@xandualves10Publicado em 26/06/2021 às 02:00Atualizado há 24/07/2021 às 01:07
Calçadão de São José dos Campos, em retomada comercial (Adenir Britto/CMSJC)

Calçadão de São José dos Campos, em retomada comercial (Adenir Britto/CMSJC)

Candidato do PSOL à Presidência da República e à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos está em turnê pelo interior de São Paulo para consolidar sua pré-candidatura ao governo estadual.

Ele passou pelo Vale do Paraíba e comentou o papel da região: "Vale é essencial na reindustrialização do estado".

O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) também criticou o governo João Doria (PSDB) e o do presidente Jair Bolsonaro. Confira:

Será candidato ao Estado?

Coloquei meu nome à disposição para disputar o governo. Acredito que temos uma oportunidade. O PSDB governa São Paulo há 30 anos e são 30 anos de paralisia, de uma política elitista. Somos o estado mais rico da federação e estamos entre os mais desiguais. Não há políticas sociais e sequer política de desenvolvimento econômico. Estamos vendo o Vale do Paraíba ser vítima direta desse processo de desindustrialização e o governo de mãos atadas, mesmo tendo um orçamento de R$ 250 bilhões.

Haverá coligações?

Estamos buscando dialogar com os partidos de esquerda, de centro-esquerda, com os progressistas, que é o viés político que defendo e meu partido defende. Queremos um projeto para São Paulo e o Brasil de combate às desigualdades sociais, de justiça social, de desenvolvimento econômico pareado a esses princípios. Precisaremos de uma ampla rede progressista para derrotar o PSDB.

Qual seu principal projeto?

São Paulo está paralisado e preservando um processo de desigualdade social brutal. Há pelos menos três prioridades.

A retomada do desenvolvimento econômico com geração de emprego e renda. Significa o papel de fomento do poder público, inclusive com políticas sociais. Há necessidade de uma renda básica para tirar pessoas da miséria e aquecer a economia, estimulando a geração de emprego. Frentes de trabalho para obras de infraestrutura, transporte, saneamento, moradia. Investimento essencial na educação e na valorização do serviço público. Esses são os pilares: desenvolvimento econômico, combate à desigualdade social e fortalecimento dos serviços públicos, sobretudo investimentos em educação e saúde.

Na opinião do sr., que papel tem o Vale para o estado?

O Vale do Paraíba é uma referência. Dentre outras coisas, pelo papel de desenvolvimento tecnológico, temos o ITA, o DCTA, a própria Embraer. Há indústria de ponta no Vale associada a projetos de pesquisa e inovação. Quando falamos da desindustrialização no estado não acontece por acaso.

A Ford manteve a fábrica de Buenos Aires e fechou em Taubaté e no Brasil. Manteve na Argentina porque era a com o maior investimento em alta tecnologia e inovação da América Latina. O Brasil está ficando para trás. A desindustrialização tem a ver com baixo investimento em pesquisa, ciência e inovação.

É aí que entra o Vale?

A região do Vale é uma referência justamente nisso, e temos que fortalecer. Isso não só permite criar empregos para a região e manter as indústrias, mas um polo atrativo de uma reindustrialização mais tecnológica. Quem ficar para trás no investimento tecnológico vai perder. O Vale tem papel chave nisso, de ser este polo de inovação, mas precisa de investimento público. O investimento federal já não tem vindo há tempos, e o governo estadual tem todas as condições de fazer essas políticas de fomento. O papel do Vale na reindustrialização do estado é essencial.

Como avalia a gestão Doria?

Ele teve o mérito de seguir a ciência, embora fosse obrigação. É evidente que estimulou o Butantan a buscar a vacina. Mas essa vacina é do esforço coletivo de centenas de pesquisadores. Mas Doria teve uma condução errática na pandemia. A história do abre e fecha é muito ruim. Se precisava fechar, que tivesse coragem para fechar tudo, dando apoio para ninguém morrer de fome. Faltou apoio para pequenos comerciantes, microempresários. Faltou auxílio emergencial para os trabalhadores informais. A gestão é muito errática e elitista, porque não olhou para as pessoas que não podiam ficar em casa.

E a gestão Bolsonaro?

Show de horrores no Brasil.

Bolsonaro é responsável direto pela situação trágica que vivemos na pandemia, que é um fenômeno internacional, mas a condução do governo é criminosa, assassina. Bolsonaro quando trabalhou contra a vacina, boicotou medidas de isolamento e ficou promovendo cloroquina e outras chicanas ao invés de propor tratamentos efetivos, levou o país a mais de 500 mil mortos.

É resultado de uma política negacionista e criminosa. E estamos vendo o escândalo da [vacina] Covaxin que pode estar ligado a interesses próprios e a esquema de corrupção. A gestão do Bolsonaro na pandemia é criminosa.

Democracia está em risco?

Não há dúvida. Temos um presidente que a cada instante fala em golpe, em intervenção militar, disse que não vai aceitar o resultado da eleição porque não tem voto impresso. É um atentado à democracia. Bolsonaro não gosta da democracia e, por isso, a ameaça com o poder de presidente. É importante que a sociedade reaja, se organize e monte uma frente para impedir retrocessos autoritários. O maior desafio é virar essa página e superar o pesadelo do Bolsonaro no Brasil para poder ter um projeto de reconstrução.

Covid-19. Doze hospitais do Vale estão com 100% ou mais de ocupação em leitos de UTI Covid (Hélia Scheppa/SEI)
Tratamento. Variantes acendem alertas de especialistas na região (Adenir Britto/PMSJC)
Vítima foi grávida de 42 anos do norte do Paraná. (Handout)
Imunização. Registro de vacinação na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Satélite, na zona sul (Cláudio Vieira/PMSJC)
Secretária de Saúde de São José, Margarete Correia (CLAUDIO VIEIRA/PMSJC)
No drugs composition with isolated colored icon set red prohibition sign and title no drugs vector illustration (Freepik)
Legenda. legenda Leg (Divulgação)
Benefício. Programa de Regularização foi instituído no dia 27 de maio (PMJ)
Pró-lAr (ALEXBRITO)
SAAE (ALEXBRITO)
Ortiz Junior (PSDB), prefeito de Taubaté de 2013 a 2020 (Divulgação)
O ex-prefeito de Taubaté José Bernardo Ortiz (PSDB) (Rogério Marques/Arquivo OVALE)
BALL (D)
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Boulos (Divulgação)
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