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Embraer aponta risco de perda na negociação comercial com Boeing

Fabricante aponta desafios e riscos ao negócio em documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, como as operações e forças de trabalho da Aviação Comercial e as potenciais dificuldades não previstas

Da redaçã[email protected] | @jornalovale

Em um documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês para Securities and Exchange Commission), sobre a transação comercial com a Boeing, a Embraer aponta riscos de perdas com a complexidade do negócio, que está em fase de aprovações em instituições regulatórias.

Entre os desafios, segundo a fabricante, estão operações e forças de trabalho da aviação comercial e potenciais dificuldades não previstas na segregação de operações, além dos custos.

Embraer e Boeing criarão uma joint venture com toda a Aviação Comercial da fabricante brasileira, com 80% das ações nas mãos da Boeing e 20% para a Embraer. O setor foi avaliado em US$ 5,26 bilhões e a Boeing pagará US$ 4,2 bilhões à Embraer.

Anteriormente, a Embraer previa gastar cerca de US$ 3 bilhões (R$ 11,61 bilhões) com os custos da separação da aviação comercial dos demais segmentos da companhia, como Aviação Executiva e Defesa e Segurança.

"A segregação do negócio de aviação comercial de nossos outros os negócios e a contribuição dos ativos e passivos relevantes para a joint venture da Aviação Comercial são complexos, dispendiosos e demorados, e podem desviar o foco e os recursos de nossa administração de nossas operações cotidianas", informou a Embraer no documento.

Noutro trecho, a empresa é mais explícita: "Se não formos capazes de segregar nossa unidade de negócios de aviação comercial de acordo com o tempo e os custos originalmente planejados, nossos negócios e operações, bem como o preço de negociação de nossas ações e ADSs [Ação Depositária Americana] podem sofrer um efeito adverso relevante".

Entre as maiores dificuldades, empresa lista 'propriedade intelectual e custos'

As dificuldades de segregar os negócios de Aviação Comercial, segundo a Embraer, incluem propriedade intelectual, ativos de tecnologia, licenças, autorizações governamentais, segregar e reter pessoal chave, manter clientes e fornecedores existentes, custos imprevistos e déficits de desempenho como resultado do desvio da atenção da gerência.

Por outro lado, os acordos operacionais na Aviação Comercial e a parceria para o KC-390 gerarão "sinergias e outros benefícios", como escala, presença de mercado mais amplos e acesso à oferta global da Boeing. "Nossa capacidade de perceber os benefícios da transação dependerão, em grande medida, do sucesso, da tempestividade e implementação destas joint ventures".

'Nosso negócio pode ser afetado adversamente', aponta companhia

A Embraer não garante que o negócio com a Boeing, chamado de "parceria estratégica", seja bem-sucedido após finalizado, de acordo com trecho do documento entregue pela fabricante à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. "Se não formos capazes de realizar integralmente os benefícios previstos da transação, ou se o valor da transação for reduzido por qualquer motivo, nossos negócios, resultados operacionais e condição financeira, bem como o preço de negociação de nossas ações ordinárias e ADSs, podem ser afetados material e adversamente".