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Governo pode barrar o acordo da Embraer com Boeing, diz Mourão

Vice-presidente Hamilton Mourão confirmou que o negócio de US$ 4,2 bilhões entre a Embraer e a Boeing pode ser vetado para governo avaliar melhor; acionistas minoritários pressionam por veto; Embraer defende acordo

Da redaçã[email protected] | @jornalovale

O governo federal pode recorrer à ação especial que tem da Embraer, a golden share, para vetar o negócio mesmo com a aprovação da assembleia de acionistas da empresa.

Em entrevista à revista Exame, o vice-presidente Hamilton Mourão confirmou que o veto não é uma possibilidade descartada.

"Essa questão tem de ficar bem esclarecida. O governo pode utilizar a golden share para parar o negócio e fazer uma melhor avaliação", disse Mourão.

O negócio, de US$ 4,2 bilhões, tornará a Boeing controladora majoritária, com 80%, da aviação comercial da Embraer, que ficará com 20%.

As duas empresas também formarão uma joint venture para o cargueiro KC-390 da Embraer, que terá 51% de capital na nova companhia.

Segundo Mourão, que tem se reunido com acionistas minoritários contrários ao negócio para discutir a fusão, o assunto tem sido discutido com o presidente Bolsonaro.

O governo ainda teria desconfiança sobre pontos do negócio, como a possibilidade de abertura de uma linha de produção do KC-390 nos Estados Unidos, o que poderia colocar em risco a atual linha de montagem em Gavião Peixoto.

Também o acidente com o avião Boeing 737 MAX 8 da companhia aérea Ethiopian Airlines, que matou 157 pessoas em 11 de março e provocou a suspensão de voos do modelo em todo mundo, tem sido usado como argumento para levantar dúvidas sobre o negócio.

Após o acidente, acionistas minoritários da Embraer aumentaram a pressão para que o governo vete o acordo.

Para a Embraer, o acidente não afeta o negócio com a Boeing, chamado por ambas de "parceria estratégica".

"Não tem conexão nenhuma e não afeta em nada a parceria estratégica da Boeing. Quanto ao acidente, tem que aguardar a investigação e, a partir daí, ver o impacto para a indústria", disse Nelson Salgado, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Embraer..