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Folia de Reis colore o Museu do Folclore de São José

Paula Maria Prado @paulamariaprado | @paulamariaprado

Luiz Gonçalves de Souza, 67 anos, já perdeu as contas de quantas casas visitará até o dia 9 de fevereiro. Mestre da Folia de Reis Filhos do Oriente, de Jacareí, ele teve de abrir os trabalhos em novembro de 2017 por causa do número de pedidos de visita que recebeu.

E não o apressem! "Se for para fazer pela metade, prefiro nem fazer! Cada visita leva em torno de 20 a 30 minutos. Cumprimento todo o mundo da casa, peço licença, abençoo o lar, faço a oferta e agradeço", disse ele que participa da Folia desde quando tinha quatro anos de idade. "Sou devoto de Santo Reis há muitos anos", disse.

História.

Segundo o 21º volume da "Coleção Cadernos de Folclore", publicado em 2011 pelo Museu do Folclore, as Folias de Reis configuram uma das manifestações tradicionais do catolicismo popular.

De acordo com o pesquisador Alberto Ikeda, entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro, as folias visitam as casas das pessoas realizando louvações cantadas ao Menino Deus e aos Reis Magos. Nessa peregrinação, cada grupo carrega uma bandeira alusiva à devoção.

São diversos os grupos espalhados pelo Vale do Paraíba e 13 deles (de São José, Caçapava, Paraibuna e Jacareí) estarão reunidos no Museu do Folclore neste domingo (27), das 9h às 17h, no chamado Encontro das Bandeiras, que está em sua 22ªedição.

O encontro, aberto ao público, marca ainda o encerramento do Ciclo de Natal e o fechamento do presépio do museu, que neste ano foi montado por Maria Aparecida Ferreira, 67 anos, nascida em São Bento do Sapucaí e moradora em São José.

Os grupos de Folias de Reis visitarão, uma a uma, o presépio, numa verdadeira manifestação de fé e devoção. A programação prevê ainda, às 11h, a celebração e benção das bandeiras, conduzidas pelo diácono Oscar Ivo, da Paróquia de Santana.

"É uma alegria muito grande participar. A principal emoção é ver o brilho no olhar das pessoas. Tirar um tempo para nos dedicarmos ao outro é um verdadeiro ato de fé", afirmou o violeiro José Antônio Cordeiro, 40 anos, que participa há sete anos da Folia de Reis Estrela de Belém, de São José, grupo que existe há 48 anos.

"Fui aluno de um dos fundadores, o mestre Zé da Viola, que me convidou a fazer parte da Folia. Desde então participo", contou ele.

Serviço.

O Museu do Folclore fica na av. Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade, Santana. Para ter acesso a coleção cadernos de folclore, acesse: www.museudofolclore.org..