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Março 02, 2018 - 22:56

Desafios de Nikoluk, uma pioneira no comando da PM no Vale

Coronel Eliane Nikoluk

Coronel Eliane Nikoluk

Foto: Rogério Marques/OVALE

Primeira mulher a assumir o comando da Polícia Militar no Vale do Paraíba, a coronel Eliane Nikoluk diz que conquistas vieram através do esforço e paixão pela profissão; reportagem faz parte da campanha 'Elas', que homenageia o mês da mulher

Danilo [email protected] Alvim_
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Esforço e paixão pelo que faz. É desta forma que a coronel Eliane Nikoluk define sua trajetória na Polícia Militar, onde hoje ocupa o cargo mais alto da corporação em todo o Vale do Paraíba.

"Tudo que conquistei foi fruto de esforço pessoal. A polícia exige muita dedicação e estudo. Temos que estar sempre nos atualizando. Você tem que se preocupar em ser o melhor no que faz e se apaixonar pela profissão".

A comandante da PM na região tem uma rotina intensa. Com três entrevistas marcadas para o mesmo dia e uma agenda cheia de demandas da corporação, Nikoluk nos recebeu em sua sala, na sede do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), na manhã da última terça-feira.

Não era uma manhã comum. No dia seguinte, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) visitaria o Vale e a PM desencadearia uma operação contra o crime em todas as 39 cidades da região. O telefone da coronel não parava de tocar.

Ciente do efeito inspirador de seu trabalho para outras mulheres, Nikoluk relata que não sofreu preconceito na polícia por ser mulher. "Me preocupo com o exemplo que eu transmito para as outras mulheres. Isso é muito importante exatamente para mostrar que a mulher pode estar onde quiser e fazer o que bem entender", afirma.

Ainda como aspirante da PM, no início dos anos 90, na zona leste de São Paulo, viveu uma das situações mais marcantes da sua carreira, ao se deparar com uma criança acorrentada em uma residência.

"A mãe ia trabalhar e não tinha com quem deixar a criança. Então, ela deixava a criança amarrada com corrente em uma mesa e colocava a comida no chão. Quando vi a situação, eu chorei. Fiquei muito sensibilizada e por muito tempo não consegui tirar aquela imagem da cabeça. Queria adotar aquela criança", relembra.

A experiência trouxe grandes aprendizados, principalmente o de saber agir e lidar melhor com situações delicadas como esta. "O policial tem que saber blindar essas situações, porque se a gente se deixar levar pelo lado emocional, nós choramos todos os dias. Vemos casos assim frequentemente, mas quando envolve crianças e idosos, principalmente, afeta bastante o emocional da gente".

FAMÍLIA.

Mãe de duas meninas, Nikoluk é neta de avôs poloneses e russos. Seu avô era polonês judeu e fugiu do campo de concentração para o Brasil.

A vocação para a polícia está no sangue. Seu pai era PM em Taubaté, mas antes disso, gostava de furtar frutas em feiras.

"Quando descobriu, meu avô ficou muito bravo e disse que ele estava desonrando a família. Mandou meu pai engraxar sapato, mas ele decidiu virar PM e foi muito bem sucedido".

Nikoluk ressalta a importância do trabalho em rede na segurança pública, com ações integradas entre as polícias e denúncias de moradores. Ela cita como exemplo os casos de violência contra a mulher e lembra que nessas situações a denúncia é essencial.

"Hoje, temos vários canais de denúncias, possibilidades de tratamento e programas de proteção à mulher que antes não existiam. Vale a pena e é importante que a mulher denuncie, porque o desfecho nesses casos, se não houver uma atitude, acaba sendo a morte", disse ela, que revela ter o desejo de fazer trabalho voluntário voltado para a área social, após se aposentar.

ACOMPANHE. 

Nas redes sociais de OVALE, mais sobre a campanha 'Elas', que aborda violência contra mulheres como tema principal, durante este mês de março.

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