Fábio França
São José dos Campos
A imigração italiana para o Vale do Paraíba rendeu um personagem ímpar para a história contemporânea de São José dos Campos, que fugiu do caminho traçado pela maior parte de seus conterrâneos.
Astrônomo e empresário italiano naturalizado brasileiro, Remo Cesaroni desenvolveu pesquisas significativas para a área e, além do desempenho profissional, deixou sua marca na cidade.
Agora, o Arquivo Público de São José dos Campos recebe até o dia 22 uma exposição digna da importância e da abrangência de sua obra.
Pessoal. Entusiasta do Carnaval, a empolgação dele foi retratada por Altino Bondesan (1916 – 2001), em um de seus livros, “São José em Quatro Tempos”.
“No Carnaval Remo Cesaroni apresentava, sempre, a mais caprichada, a mais rica fantasia. E dava uma fugidinha a São Paulo, para abiscoitar os prêmios nos bailes luxuosos. Era uma forma de propaganda de São José”, descreve o trecho.
Na mostra, cinco painéis retratam ângulos diferentes da personalidade dele com textos e fotos que enfocam o lado carnavalesco, o de empresário e também o criador do observatório Galileu Galilei, inaugurado em 1943.
“O observatório foi o único particular e um dos mais importantes da América do Sul”, afirma Donato Ribeiro, chefe do Arquivo Público do município.
Além dos painéis, há um série de itens extras sobre o trabalho de Cesaroni, como partes de um dos telescópios dele e também correspondências.
Uma delas tem um destaque especial. “Há uma carta que é uma correspondência com a Nasa (Agência Espacial Americana), na qual pedem para ter acesso a estudos feitos pelo observatório e Remo é mencionado como presidente da comissão brasileira para o planeta Marte”, explica Donato.
Óvnis. No blog “Arquivo SJC” (ufologiasjc.blogspot.com) há um post com um relato raro creditado a Remo Cesaroni que explica a observação de um objeto não identificado.
“Era exatamente 10h45 da manhã do dia 16 de novembro de 1954... do lado do Banhado vislumbrei com dois objetos estranhos... completamente silenciosos”, descreve.
O autor do blog, o ufologista Wagner Moloch, conta que teve acesso ao documento em 1994 no Acervo Público. “Tenho fotografado o documento, mas voltei outras vezes lá e não encontrei. Ninguém mais sabe deste registro”, conta.
Serviço. A exposição fica até dia 22 no Arquivo Público de São José. Av. Olivo Gomes, 100, Parque da Cidade. Tel.: (0xx12) 3924-7327/ 7329.