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November 17, 2011 - 04:08

os 52 anos sem villa-lobos

Heitor Villa-Lobos tem nome ligado à Semana de Arte Moderna

divulgação

Maior personalidade da música erudita no Brasil, maestro tem obra dividida em quatro fases


Faz hoje 52 anos da morte do maior vulto da música erudita brasileira de todos os tempos. Apesar da sua obra ser posteriormente considerada elitista, Villa-Lobos rompeu com a metodologia clássica, democratizando o cancioneiro brasileiro definitivamente.
Classificando Villa-Lobos.
Pós-impressionista, neoprimitivista, pós-romântico, neoclássico, modernista, nacionalista? Qualquer dessas etiquetas poderia ser utilizada em alguma fase da produção villalobiana. O importante é caracterizar o polimorfismo deste gigante que desenhou, na 6ª. Sinfonia, a silhueta das Montanhas Brasileiras ou revelou, no Amazonas, os sortilégios da selva tropical. Em Villa-Lobos, o descaminho foi seu caminho, o paradoxo a sua verdade.
Sua evolução estética era contínua, sem maiores saltos; reconheciam-se as obras da mocidade, de transição e da maturidade, mas sempre em mesmo estilo. Para melhor conhecimento da vida e obra de Villa-Lobos, o musicólogo Ricardo Tacuchian, no texto "Villa-Lobos e Stravinsky", publicado pela "Revista do Brasil", em edição de 1988, propõe a divisão de sua produção musical em quatro fases.
A Primeira Fase
- É a de Formação. Vai até 1919 e corresponde à procura de um estilo, a partir do conhecimento do Brasil, da vivência com a música urbana (chorões) e as influências europeias (impressionismo). Surpreendentemente, apesar de apenas com 32 anos, Villa já tem uma bagagem de 4 Sinfonias, 4 Quartetos de Cordas, 3 Óperas, a Suíte Popular Brasileira, as Danças Características Africanas, o Grande Concerto para Violoncelo e Orquestra (nº. 1), e a Prole do Bebê nº 1, primeira obra que o notabilizou internacionalmente através da interpretação de Rubinstein.
Mas são dessa fase também, ambas de 1917, o bailado Uirapuru e o poema sinfônico Amazonas.
A Segunda Fase
- Está toda contida na década de 20. É a Vanguarda Modernista dos Choros. É neste período que ocorre a Semana da Arte Moderna e quando Heitor vai a Paris em 1923, mostrar seu trabalho. Aqui o compositor alcança o ponto culminante de sua obra: a série dos 14 Choros, que são a "síntese da alma brasileira", segundo o músico Acácio Maurício de Oliveira, presidente, professor e mantenedor do Conservatório Musical Villa-Lobos, em São José dos Campos.
A Terceira Fase
- Entre 1930 e 1945, exatamente quando ele inicia a primeira e termina a nona Bachiana. É a Síntese das Bachianas Brasileiras, do nacional com o universal, do presente com o passado.
A Quarta Fase
- Vai de 1945 até sua morte, é a fase do Universalismo. É quando Villa-Lobos passa a viajar sistematicamente para os Estados Unidos.
Escreve nada mais nada menos que 9 Quartetos de Cordas, 6 Sinfonias, 5 Concertos para Piano e Orquestra, o 2º. Concerto para Violoncelo e Orquestra, além de 4 cantos, 1 Suíte para cinema, 2 concertos, 1 ópera e inúmeras obras sacras; várias Ave-Marias, Bendita Sabedoria. Que nem Liszt, igualmente metafísico e intenso.
O melhor
- Para quem nunca escutou o gênio modernista, Dean Frey, canadense e autor do único e maravilhoso website http://www.villalobos.ca, deve iniciar-se por: Prelúdios para Violão, Choros #10, Nonetto, Quarteto Simbólico, Bachianas Brasileiras #5, Quarteto de Cordas #7, Prole do Bebê (livro 1), Uirapuru, Floresta do Amazonas e Missa São Sebastião.
Se realmente gosta de música e ainda não escutou Villa-Lobos, faça um favor si-mesmo: siga o conselho de Dean Frey e permita que a sua vida recomece em uma dimensão extraordinariamente bela, diversificada, brasileira e universal.

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