Aaron Kawai
Minimalismo em alta Pequenas histórias, grandes escritores: nicho literário é liderado por nanoiniciativas
Nicho em expansão dentro do mercado literário, os microcontos (que também recebem os nomes de nanoconto ou microrrelato, nos países de língua hispânica) se encontram em uma dicotomia: nunca antes no país houve tantos autores do gênero e, em contrapartida, o estilo ainda não é reconhecido oficialmente pelas grandes editoras brasileiras.
Embora já fosse praticado por escritores de renome, como Mário Quintana (na obra "Caderno H"), Carlos Drummond ("Contos Plausíveis") e até mesmo Monteiro Lobato (que flertou com textos curtos em "Mundo da Lua") o gênero vive atualmente seu maior momento de glória.
Após ser catapultado por um "boom" que aproximou a linguagem da utilizada no Twitter, a literatura minimalista revelou sua primeira personalidade nacional, com o escritor gaudério Fabrício Carpinejar.
Mesmo com outros livros no currículo, ele lançou uma obra com seus posts nas rede de microblogs (que foi batizado com o link para seu perfil "www.twitter.com/carpinejar"), que reuniu 400 pensamentos curtos, haikais e também microcontos.
Mercado.
Em Aparecida, o escritor especializado em microcontos Wilson Gorj publicou seu primeiro livro no estilo em março do ano passado.
Com a obra, "Prometo ser Breve", também nasceu seu selo, o 3x4, um dos principais redutos no Brasil voltados à publicação específica deste tipo de gênero.
Em uma parceria com a editora Multifoco, o selo já rendeu 13 publicações e deve ter seu 14º lançamento em outubro.
"Os autores estão publicando mais seus minicontos e mininarrativas. Só pelo nosso selo foi lançado quase um livro por mês", analisa Gorj.
As edições são impressas em um esquema de demanda e cada um dos autores publicados até o momento vendeu cerca de 60 livros, que totaliza um número estimado de 780 cópias, número representativo para um mercado relativamente novo no país.
"Os autores vão pedindo mais edições, que podem ser de um número baixo de tiragem, como 50 exemplares, por exemplo. Até agora não tive prejuízo e aposto que a tendência é que este mercado específico expanda".
Quanto às majors da literatura, Gorj acredita que falta coragem das grandes editoras para apostar no segmento.
"Elas na verdade nem chamam de microcontos, mas classificam como ficção ou algum outro rótulo".
Iniciativa.
Para Réginaldo Poeta, autor de livros de micropoemas, o estilo é realidade desde 2005, quando lançou de forma independente seu primeiro livro do gênero "Do Canto de cá dos meus Olhos".
As 400 cópias vendidas serviram como um incentivo para o poeta paraibano, que vive em São José. "Ganho para bancar a obra. Quero é que circule entre as pessoas". Em 2009 lançou "O Encontro Mágico do Pólen", que vendeu só na noite de lançamento 120 cópias.
Os índices serviram como estímulo para ele, que pretende lançar em 2012 duas obras. A primeira delas é intitulada "Pra não chorar nos ombros do meu Amor" e deve ser lançada no primeiro semestre.
Já em dezembro do próximo ano ele planeja lançar o livro de bolso "Poemas para embrulhar Sonhos".
A tiragem dos livros já está estipulada: 500 e 300 cópias para cada um, respectivamente. Réginaldo faz parte de uma cena local que engloba escritores que apostam no estilo, como Máh Luporini, Léo Mandi, Fernando Selmer (em São José) e Afonso José Santana (de Caçapava).
Sucesso.
A alta vivida pelo gênero é creditada por Réginaldo ao dinamismo apresentado.
"Nunca gostei de poemas muito longos, são enfadonhos e acho que, assim como os filmes, têm que ganhar as pessoas já nas primeiras linhas. Não acho que precisa de 30 linhas para dizer ' eu te amo' se é possível dizer isto em duas".
Outro fator relacionado pelo poeta é a proximidade entre o estilo e o cotidiano dos leitores. "Hoje todo mundo tem pressa. Se você não tem uma obra que fale em uma a linguagem atrativa, as chances de ela passar batida são grandes".
De estilo essencialmente urbano - mas nem por isso longe de citar as flores do asfalto em seus poemas - Réginaldo revela que tem vontade de ler seus micropoemas em placas de caminhões, o que denota a verve popular do estilo. Ou seja, se depender do gênero, o título de "literatura com pressa" fica só para o jornalismo.
Estilo
O sucesso do gênero é creditado à proximidade do cotidiano vivido pela 'sociedade da pressa' e das redes sociais
Trocando em miúdos
Wilson Gorj
Esfaqueado
O vendedor deu-lhe 1, 2, 3... mais de 5 facadas.
A viatura chegou na hora e o policial tratou de levá-lo sem muita conversa.
Em casa, os filhos do PM receberam cada qual um pedaço do abacaxi fatiado
Réginaldo Poeta
Futebol Japonês
Bonsai.
Ruim, fica