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REGIÃO
December 14, 2011 - 04:00

‘Verba não chegava a projetos’

Local onde está registrado no site da empresa Lider

Marcelo Caltabiano

Eid Nogueira Souza diz ter alertado autoridades há dois anos sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos destinados à Liga

Tânia Campelo e Xandu Alves
São José dos Campos

O ex-diretor da LVC (Liga Valeparaibana de Ciclismo de São José dos Campos) Eid Nogueira Souza, 42 anos, disse que denunciou à prefeitura, em 2009, supostas irregularidades na Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base da Capital e Litoral Norte) e no Clube de Ciclismo de São José.

Presidida por Sônia Molina, a Lider é uma das três ONGs envolvidas em um esquema criado para captação de recursos públicos por meio de convênios com o Estado e encabeçado pelo ex-candidato a deputado estadual Marcos Mazzaron (PTB). Somente neste ano o grupo recebeu R$ 12,3 milhões do governo estadual. O caso foi denunciado pelo O VALE/BOM DIA.
 
Irregularidades. As denúncias teriam sido feitas pelo ex-dirigente da LVC ao secretário de Esportes de São José, Sérgio Theodoro, ao vereador Vadinho Covas (PSDB) e ao deputado Hélio Nishimoto (PSDB).

“Eu procurei as autoridades envolvidas com o esporte na cidade. Disse que estava saindo da Liga por conta das irregularidades. O dinheiro que entrava não chegava no projeto.”

Souza atuou na LVC e no Clube de Ciclismo entre os anos de 2007 e 2009. Segundo ele, o Clube mantinha o Projeto Social Esportivo com verbas da prefeitura, e atendia 52 crianças e adolescentes, em média. Ele disse que os atletas atendidos viajavam quase todos os finais de semana, mas os pais tinham que arcar com a maioria das despesas.

“A gente comprava marmitex para os atletas com dinheiro do bolso. A Sônia sempre dizia que a secretaria não havia transferido a verba, mas eu sabia que tinha dinheiro”, afirmou o ex-dirigente.

Lider. Souza ressaltou que, com a Lider, a situação piorou. O ex-dirigente disse que a Sônia e o ex-atleta Marcos Mazzaron criaram a nova ONG “num passe de mágica”.
“Um dia chegaram lá na Liga e afirmaram que a partir daquele momento o nome da entidade era Lider. Recebemos banner, infláveis para as competições, tudo da Lider. Ninguém explicou o porquê.”

Poder. Um técnico de equipe de ciclismo, que pediu para não ser identificado, confirmou a precariedade do atendimento oferecido aos atletas em São José por meio do Clube de Ciclismo. “A Liga e o Clube de Ciclismo são a mesma coisa. Quando a Sônia não está na presidência do Clube, está o seu marido \[Jair José de Oliveira, atual presidente\] ou o seu filho”, disse o técnico.

Segundo ele, as irregularidades e a ‘ditadura’ imposta por Sônia estariam desestimulando os atletas de ciclismo.

“Depois de muitos anos dominando o ciclismo nacional, neste ano a equipe de São José não conseguiu ganhar nem os Jogos Abertos. Isso não poderia acontecer”, desabafou.

O presidente do Clube de Ciclismo, Jair Molina, não comentou as denúncias.

OUTRO LADO
Presidente evita comentar denúncias
São José dos Campos

O presidente do Clube de Ciclismo de São José, Jair José Molina, não quis comentar as denúncias contra a entidade. Ele é marido de Sônia Molina, presidente da Lider e ex-presidente do Clube.

“Nossos advogados nos orientaram a não comentar nada, não falar mais nada sobre essas denúncias. Eles estão tratando disso”, afirmou.

O deputado Hélio Nishimoto, que apoia as equipes de ciclismo em São José desde que era vereador na cidade, disse que Eid Nogueira Souza denunciou possíveis irregularidades no Clube de Ciclismo, mas como era uma questão do município, teria orientado o ex-dirigente da LVC a procurar a Câmara e a Secretaria de Esportes de São José.

A Secretaria de Esportes disse que Eid tinha contato com a pasta durante o período em que fazia parte do Clube de Ciclismo (de 2008 a 2009) e que em nenhum momento houve manifestação do ex-dirigente em relação às denúncias.

Sem efeito. O vereador de São José Vadinho Covas (PSDB), que também apoia o ciclismo em São José, disse que não pediu apuração das denúncias feitas por Eid Souza por considerá-las questões administrativas internas da entidade.

O diretor da Federação Paulista de Ciclismo Marcos Maz-zaron, ex-candidato a deputado estadual pelo PTB de São Bernardo do Campo, não foi localizado pela reportagem para comentar as denúncias.

Sônia Molina também não foi localizada ontem.


ENTENDA O CASO
Denúncia
Sede fantasma
Reportagem publicada pelo O VALE/BOM DIA no dia 11 de dezembro revela um esquema envolvendo três ONGs, encabeçadas por um ex-candidato a deputado estadual pelo PTB, Marcos Mazzaron, visando a captação de verbas públicas por meio de convênios sem concorrência

Fantasma
Sem endereço
As entidades envolvidas no suposto esquema --a Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base), de São José, a Lineri (Liga Nacional de Desportos de Rendimento e Inclusivos) e a Federação Paulista de Ciclismo-- têm endereços fantasmas

Triangulação
Elo invisível
Um advogado que se identificou como conselheiro fiscal da Federação Paulista e que assina o estatuto da Lider, ao lado de Sônia Molina, disse que nunca viu a presidente da ONG e que assinou o documento a pedido de Mazzaron. Ele também é um dos responsáveis pela locação da sala que deveria ser a sede da Lineri. No imóvel que seria o endereço para correspondência da Federação Paulista de Ciclismo funciona a MZ2 Eventos, empresa do petebista


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