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August 19, 2012 - 02:00

Vítimas de maníaco relatam rotina de tortura e chantagem

Uma das vítimas que o maníaco Ricardo de Almeida Vasconcelos torturou Foto: Victor Moriyama

Uma das vítimas que o maníaco Ricardo de Almeida Vasconcelos torturou Foto: Victor Moriyama

Ricardo Vasconcelos se mostrava gentil e carinhoso para conquistar confiança das mulheres que depois iria torturar; além de extorquí-las, agressor as obrigava a beber urina

Wilson Silvaston
São José dos Campos

Uma rotina de torturas, humilhações e medo, assim foi a vida das mulheres atraídas pelo ‘maníaco sedutor de São José’. O VALE entrevistou cinco vítimas de Ricardo de Almeida Vasconcelos, preso na última quarta, acusado de crimes como estupro, extorsão, roubo e cárcere privado.
Carinhoso, gentil e protetor, era assim que Ricardo se apresentava a suas vítimas. “Em um mês recebia uns dez buquês de flores. Ele dizia que eu era a mulher da vida dele, que queria cuidar de mim”, relembrou Maria (nome fictício).
Outra característica do psicopata era a busca por mulheres emocionalmente fragilizadas. “Eu tinha sido traída e havia acabado de me separar, estava carente. Aí aparece esse homem oferecendo atenção, você acaba se entregando”, explicou.

Armadilha.
Com um talento natural para a conquista, ele logo envolvia essas mulheres em uma rede de intrigas e violência. “Com essa desculpa de querer proteger, ele vai pouco a pouco tomando espaço e quando você via, ele já estava com seus documentos pessoais, com seu dinheiro, com fotos íntimas. Você ficava refém dele”, disse Carina (nome fictício).
Com a confiança das vítimas, Ricardo iniciava os golpes. “Ele me convenceu a largar meu emprego e abrir uma empresa com ele. Investi tudo na ideia, mas quando fui descobrir, estava tudo no nome dele. Fiquei dependendo dele para tudo”, lamentou Maria.

Violência. Com as vítimas envolvidas, Ricardo revelava sua verdadeira personalidade: a de um homem sádico e cruel.
“Ele tinha um ciúmes possessivo e louco. Tinha que andar na rua olhando para baixo, se não apanhava”, disse Bia (nome fictício).
Violência que se tornava mais intensa com o passar do tempo. “Ele me dava socos, chutes e cintadas até minha pele ficar na carne viva. E fazia isso com minhas filhas no quarto ao lado”, disse Maria.
Um sadismo que piorava com o passar do tempo. “Ele já começou a me socar no elevador. Entrei no apartamento com a boca sangrando. Ele me levou para o quarto me amordaçou, espancou e estuprou com os pais dele no quarto ao lado. Fui parar no hospital toda machucada”, relembrou Ana (nome fictício).

Extorsão. E se não bastasse os abusos físicos e emocionais, Ricardo ainda aproveitava para extorquir suas vítimas. “Quando tentei me afastar dele, ele me espancou e colocou uma faca no meu pescoço, me obrigando a assinar sete promissórias de R$ 7.000”.
A chantagem era outra prática. “Ele fez um vídeo da gente fazendo sexo e ameaçou divulgar para minha família”.

Saiba mais

Vítima do 'maníaco' cria página no Facebook

Uma das vítimas que o maníaco Ricardo de Almeida Vasconcelos torturou. Foto: Victor Moriyama


MÉTODOS

Abordagem
Para conquistar suas vítimas, Ricardo se apresentava como um homem carinhoso, gentil e protetor

Vítimas
As vítimas escolhida por Ricardo eram mulheres bem sucedias profissionalmente e emocionalmente frágeis

Armadilha
Depois de ganhar a confiança das vítimas, Ricardo aplicava uma série de golpes para prender suas mulheres

Torturas
Além das agressões físicas, o psicopata costumava queimar suas namoradas com cigarro

Cárcere
Outra tortura praticada por ele era manter suas vítimas trancadas no escritório enquanto estava fora

 

Psicopatia atinge uma a cada 100 pessoas
São José dos Campos
Uma pessoa sem sentimentos e que fará o que for necessário para alcançar suas metas, nem que precise ferir ou matar alguém para isso. Assim é a definição de pessoas portadoras da síndrome do transtorno antissocial, um mal que segundo psiquiatras atinge uma em cada cem pessoas no mundo.
“Eles não tem raiva, ódio e sequer remorso pelo que fazem. Para eles só existe a razão e é isso que eles usaram para conseguir o que querem, nem que precisem pisar no pescoço de alguém para isso”, definiu o psiquiatra Benigno Augusto de Castro.
Outra característica de acordo com o especialista é que eles nunca se veem como alguém diferente. “Eles não se veem como uma pessoa diferente ou doente”.
A psicóloga Regina Rovetta explica que existe diferentes tipos e níveis de psicopatas.
“Nem todos chegam a se tornar assassinos como é o caso do maníaco do parque por exemplo, mas na sua maioria eles não sentem remorso algum e provocar o mau ao próximo, como é o caso desse monstro preso em São José”, disse Rovetta.

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