Manifestação a favor do Pinheirinho para São José. Foto: Victor Moriyama
Manifestantes protestam contra a desocupação do Pinheirinho em S. José. Foto: Eric Fujita/Divulgação
Paço fecha por mais de uma hora; sessão de Câmara é cancelada e trânsito na região central trava
Filipe Manoukian
Vivian Zwaricz
São José dos Campos
Uma manifestação contra a desocupação do Pinheirinho complicou o trânsito na manhã e início da tarde de hoje, na região central de São José dos Campos. Além disso, o Paço Municipal ficou fechado por uma hora e 10 minutos e a sessão da Câmara de hoje foi cancelada.
Trânsito. A rua 15 de Novembro foi totalmente interditada pelos marronzinhos na parte da manhã. A organização estima que 2 mil pessoas tenham participado do movimento.
A manifestação percorreu os principais corredores viários da região central e causou reflexos nas vias paralelas às ruas e avenidas usadas pela multidão. A avenida São José, a rua Paraibuna e a avenida João Guilhermino, foram as mais prejudicadas.
O grupo bloqueou o Anel Viário, em frente à Prefeitura, por uma hora e 10 minutos. Carros e ônibus tiveram que parar por conta da grande quantidade de pessoas. A pista mais prejudicada foi a sentido Centro, zona oeste. Com receio de ataques, a sessão da Câmara de hoje foi cancelada e o Paço Municipal foi fechado durante o tempo em que o grupo estava no Anel Viário. Quem estava dentro do Paço não saía e, quem estava fora, não podia entrar.
A favor do Pinheirinho. Gritando palavras de ordem, os manifestantes tentavam sensibilizar os governos federal, estadual e municipal e garantir a desapropriação da área do Pinheirinho.
O ato foi encerrado às 14h40, quando os manifestantes começaram a se dispersar. Alguns foram até o Pinheirinho para ver a situação da área e outros foram para os abrigos onde os sem-teto estão alojados para prestar solidariedade aos ex-moradores do acampamento.
Não houve confusão durante todo o protesto.
O protesto - Por volta das 9h, centenas de pessoas já estavam na praça Afonso Pena e muitos ônibus chegavam de vários cantos do país. Estiveram no protesto manifestantes de Campinas, Guaratinguetá, Belo Horizonte, estudantes da USP (Universidade de São Paulo), além de ex-moradores do acampamento.
De acordo com o Conlutas (Central Sindical e Popular), que organizou o protesto, a ação foi de âmbito nacional e contou com sindicalistas do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Filiados de partidos políticos da oposição como PSTU e PSOL também participaram do ato. Os desabrigados do Pinheirinho foram convocados na última terça-feira para participar da mobilização.
“Queremos protestar contra o ataque e violência praticados contra os moradores do Pinheirinho e exigir a punição dos responsáveis pelos atos de violência”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo ele, o protesto também visava pedir a regularização do antigo acampamento para que sejam erguidas casas aos desabrigados.
Segurança. A Polícia Militar informou que acompanhou toda a mobilização do começo ao fim. O número de policiais e viaturas que empregado na ação não foi divulgado por ‘uma estratégia operacional da corporação’.
“Informações coletadas no setor de inteligência apontam que a manifestação será pacífica. Vamos acompanhar para garantir a ordem pública e a segurança dos manifestantes e das pessoas que passarem pelo local”, afirmou a capitã Jaqueline Aparecida Ferreira Pires, chefe da seção administrativa da Polícia Militar.
Manifestantes protestam contra a desocupação do Pinheirinho.
Foto: Eric Fujita/Divulgação
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Prédios têm vigilância especial
São José dos Campos
A Prefeitura de São José destacou todo o efetivo da Guarda Civil Municipal para monitorar os prédios públicos.
A mobilização ocorreu desde a desocupação do Pinheirinho e continuou hoje durante o protesto. São José tem cerca de 250 guardas civis.
Segundo a prefeitura, a vigilância especial aos prédios públicos não tem prazo para terminar.
Fórum.A entrada no Fórum de São José está liberada desde a última segunda-feira. O acesso ficou restrito por 19 dias apenas para advogados e funcionários. A restrição foi implantada para evitar possíveis invasões do movimento sem-teto no prédio. “Foi uma medida de segurança causada por episódios de ameaças”, afirmou o diretor do Fórum, José Loureiro Sobrinho. “Não existem mais ameaças”.
ASSEMBLEIA
PT quer CPI para apurar excessos
São José dos Campos
O PT vai protocolar hoje na Assembleia Legislativa um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar possíveis excessos cometidos pela Polícia Militar no cumprimento da ordem de reintegração de posse do Pinheirinho.
A investigação também terá como objetivo analisar se houve omissão por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB) antes e depois da operação policial na área.
“Vamos apurar os fatos. Tem sim responsabilidade do Estado. A ideia da CPI é ver o que poderia ter sido feito para evitar o episódio lamentável que ocorreu no Pinheirinho, inclusive com seus desdobramentos, em que pessoas ficaram em abrigos precários”, afirmou o deputado estadual Marco Aurélio (PT).
A decisão por pedir a abertura de uma CPI foi tomada ontem, em audiência pública realizada na Assembleia.
Para ser aberta, a CPI precisa de assinaturas de 32 dos 94 deputados estaduais. A oposição a Alckmin reúne, atualmente, 28 parlamentares.
Lembranças. Na audiência de ontem, muitas famílias desalojadas do Pinheirinho levaram pertences, principalmente brinquedos, como símbolos do acampamento destruído.
Em discursos calorosos, lideranças políticas criticaram a atuação da PM e os abrigos oferecidos pela Prefeitura de São José aos desalojados.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Ministério Público participaram da audiência e prometeram apoio aos sem-teto.