Segundo a polícia, se não conseguirem se aliar a outros criminosos, pode ocorrer uma 'guerra' pelas bocas de fumo da região sul de São José
João Paulo Sardinha
Bom Dia São José
O trator que destruiu os sonhos de gente trabalhadora nesta semana também devastou os negócios de traficantes que atuavam no acampamento sem-teto do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos.
A reintegração de posse da área, determinada pela Justiça do Estado, provocou a saída dos chefões da droga no local.
Esse grupo, a partir de agora, irá transferir seus 'negócios' para outros bairros da cidade. Irão se aliar ao poder estabelecido nestes lugares ou, numa segunda hipótese, tentar tomá-lo à força. O que daria início a uma guerra sangrenta.
Atenção. O sinal de alerta, portanto, está aceso nos bairros vizinhos ao Pinheirinho, principalmente Campo dos Alemães, Jardim Colonial, Residencial União e Dom Pedro.
A Polícia Civil aposta que os traficantes, recém-saídos do terreno que era ocupado pelos sem-teto, irão se aliar a líderes dos bairros vizinhos. Ou seja, a indústria da droga na zona sul ganha o reforço de refugiados do Pinheirinho.
A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) já está atenta à migração destes refugiados do acampamento.
“Sabíamos que havia traficantes lá dentro, mas não sei quantos eram nem o volume de droga que armazenavam lá. Esses bairros (da zona sul) têm seus ‘donos’ e, agora, os traficantes do Pinheirinho’ precisarão se aliar a eles”, explicou o delegado titular da Dise, Darci Ribeiro na última sexta-feira.
Guerra. Caso não consigam se aliar, entretanto, os traficantes podem dar início a uma guerra pelo comando dos pontos de venda de droga.
O temor da polícia é que os chefões migrem para outras áreas já dominadas, gerando brigas pelo comando das ‘bocas de fumo’ vizinhas.
Em abril do ano passado, por exemplo, quando houve a retirada dos moradores do Conjunto Henrique Dias, na região central de São José, também houve movimento semelhante dos criminosos.
Os traficantes que agiam no local foram, segundo a polícia, para o conjunto Frei Galvão, na zona leste da cidade.
Outros bandidos se aliaram aos líderes da favela Santa Cruz, na região central da cidade, para continuar lucrando com o comércio de drogas .

Jardim São José 2 teve confronto violento
O Jardim São José 2, na zona leste da cidade, é um caso recente de guerra sangrenta pelo controle do tráfico de drogas. Devido aos confrontos, o local ficou conhecido como Cidade de Deus, em referência à favela do Rio de Janeiro. Em 2010, quatro pessoas foram mortas e outras 10 foram baleadas em batalhas ligadas ao tráfico de drogas. Mortes em outros bairros da zona leste também estavam ligadas ao tráfico no Cidade de Deus. Para diminuir os índices de violência no bairro, a prefeitura criou a ação ‘São José do Bem’. O Jardim São José 2 foi criado pela prefeitura em 2003 para abrigar moradores das favelas Caparaó, Nova Detroit e Nova Tatetuba.
PM fez um ‘pente-fino’ antes da reintegração
O acampamento sem-teto do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, foi alvo de duas operações da Polícia Militar, dias antes da reintegração de posse, ocorrida há uma semana.
Nos dias 5 e 7 deste mês, cerca de 120 policiais militares revistaram casas e abordaram moradores do acampamento em busca de armas e drogas.
As lideranças do bairro, à época do ocorrido, consideraram a operação como um ‘pente-fino’ realizado com o objetivo de conhecer a área, antes de uma reintegração de posse.
A Polícia Militar, entretanto, garantiu que as operações realizadas no Pinheirinho foram programadas devido ao número de denúncias recebidas.
A corporação afirmou, por meio de nota, que possui um mapeamento das atividades criminais que influencia as operações da PM.
A prática de revistar os moradores antes de ações de reintegração de posse não chega a ser uma novidade.
Quando houve a reintegração no Conjunto Henrique Dias, por exemplo, houve revista de moradores. Foram apreendidos 3 quilos de cocaína.