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Nossa Região
October 12, 2011 - 04:03

Policial é atingido por raio e espera 9 h por vaga em UTI

Família de policial que foi atingido por um raio na Dutra

Aaron Kawai

Família diz não conseguiu leito de UTI no hospital que atende pelo convênio da Unimed e nem no PS da Vila Industrial

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Um policial militar teve que esperar por nove horas para ser internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do pronto-socorro da Vila Industrial, após ser atingido por um raio na manhã de ontem, na via Dutra, em São José.

O soldado José Julio César, 36 anos, estava de moto e voltava para sua casa, em Taubaté, onde mora com a mulher e dois filhos -- um garoto de nove anos e uma menina de 14.

A descarga causou queimaduras em 25% de seu corpo. Enquanto não ia para a UTI, ele ficou em coma induzido.

A família da vítima, primeiro tentou transferí-lo para um leito do hospital São Lucas, já que o policial é conveniado à Unimed, mas a UTI também estava lotada. A vaga só foi obtida no PS após pressão exercida pela Polícia Militar.

Segundo boletim divulgado às 18h de ontem pela Secretaria de Saúde, César estava na UTI em estado grave.

Acidente. O policial trabalhou desde as 18h de segunda-feira até as 6h de terça-feira. Ele atuava em uma base da PM no Jardim Paulista, região central de São José.

No momento do raio, por volta das 7h, chovia forte e o trânsito no km 145 da Dutra, trecho do Vista Verde, na zona leste, estava lento.

“Estava atrás dele e vi quando o raio o atingiu no capacete. Ele perdeu o controle da moto e caiu na lateral da rodovia”, diz o supervisor de manutenção Tiago Silvestre, 27 anos.

Silvestre, com outros dois amigos que iam para Taubaté, acionaram o Corpo de Bombeiros e fizeram os primeiros socorros na vítima.

“Vimos que ele estava se afogando devido à chuva e viramos a cabeça dele. Ele também reclamava muito das queimaduras”, diz ele.

Socorro. O tenente Alexandre Veloso, responsável pelo atendimento a César, explica que quando a viatura de emergência chegou ao local, ele estava agitado e consciente.

“Quando chegamos, ele já estava sem camisa pelo desconforto das queimaduras. Então levamos ele para o pronto-socorro, onde ele receberia um atendimento melhor”.

O policial deu entrada no PS por volta das 7h30. Um médico, que é amigo da família, alertou sobre os riscos de não interná-lo em uma UTI.

“Nas primeiras 24 horas, em um caso desse, o paciente precisa de tratamento intensivo”, diz Cesário Souza Soares.

Apesar de ter convênio com a Unimed, Fabíola Resende, 30 anos, mulher de César não conseguiu enviá-lo para um hospital conveniado.

“No São Lucas, em Taubaté, não havia vagas. Tentamos então uma vaga na UTI do pronto-socorro, mas também não conseguimos”, diz ela.

Oficiais da PM foram então ao hospital para solicitar à prefeitura a liberação de vaga na UTI ao policial. Em nota, a corporação afirmou que o pedido foi atendido e por volta das 16h, o soldado foi transferido.

Outro lado. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o Hospital Municipal possui 35 leitos na UTI e capacidade para atender seis pacientes admitidos em estado grave.

A Unimed Taubaté confirmou que teve problema com o São Lucas, mas vai apurar porque o paciente não foi encaminhado a um outro hospital conveniado que tivesse vagas.


Moto é chamariz de raios, diz especialista
São José dos Campos

Motocicletas na via Dutra são um chamariz para relâmpagos, segundo o coordenador do Elat (Núcleo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe, Osmar Pinto Junior.

Segundo ele, o corpo metálico das motos em movimento atrai as descargas elétricas.

“Não é raro motociclistas serem atingidos por raios. O ideal é quando ao perceber uma tempestade chegando ele pare para se abrigar”, afirmou.

Descarga. Segundo Osmar, no caso do PM, é provável que a descarga o tenha atingido quando ia em direção ao chão.

“O mais comum é que entre pelo capacete. Se a descarga tivesse caído no chão e se espalhado, haveria chances de o pneu da moto neutralizar a eletricidade e, caso isso não acontecesse, atingiria as pernas do motociclista”.

Outubro marca a temporada dos raios no Brasil, segundo o cientista. O ápice das descargas elétricas é em janeiro.

No biênio 2009-2010, São José dos Campos foi a 104ª cidade do Brasil no ranking de incidência, com 7,87 raios por quilômetro quadrado. Jacareí é a 17ª colocada com 12,87 raios por quilômetro quadrado.


ENTENDA O CASO

Acidente
O policial militar José Julio César tinha trabalhado das 18h às 6h e voltava para sua casa, em Taubaté, de moto, quando foi atingido por um raio

Descarga
A descarga lateral (uma parte menos potente do raio) entrou pelo capacete do policial e desceu em direção ao chão, queimando ombro, peito e tórax da vítima

SEM VAGAS
A
o ser socorrido, o PM teria de ser internado em uma UTI, mas não havia vagas no pronto-socorro da Vila Industrial, nem no hospital onde a vítima era conveniada

Espera
Após solicitação da Polícia Militar, a vítima conseguiu uma vaga na UTI; ele teve de esperar por quase nove horas

Saúde
O PM continua em estado grave na UTI; ele teve 25% do corpo queimado devido ao raio

Outro lado
A Secretaria de Saúde informou que possui 35 vagas de UTI no Hospital Municipal, sendo 17 delas no pronto-socorro

 

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