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September 20, 2011 - 09:59

Novo estatuto do PCC

 Ônibus incendiado no bairro Campo dos Alemães, zona sul de São José, na época dos ataques  do PCC; facção chegou a impor toque de recolher em sinal de luto por morte de um traficante

ADRIANO PEREIRA 12/jun/2006

Documento teria chegado aos integrantes da facção no fim do mês passado, quando a organização criminosa completou 18 anos

Redação
BOM DIA São José

Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue. É esta frase de impacto e tom ameaçador que põe  o ponto final no ‘novo estatuto’ do PCC (Primeiro Comando da Capital) -- principal organização criminosa do Estado, criada em Taubaté. O documento,  uma espécie de ‘bíblia’ da facção,    chegou às mãos dos ‘irmãos’ no final de agosto, quando o  grupo festejou seu  18º  ano de existência.

A organização foi fundada em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté. Essa edição atualizada do estatuto (oito páginas e 18 artigos) e foi lançada  para  que a
facção se  adapte à nova ‘realidade’ do crime.

O BOM DIA obteve com exclusividade uma cópia do documento. O conteúdo dessa ‘cartilha’ é a base da série ‘PCC - 18 anos’, que será publicada de hoje até o próximo sábado.

O último artigo do estatuto, que determina a postura dos integrantes diante das forças de segurança do Estado, é  tema da primeira reportagem. O item 18 deixa bem explícito: os soldados  estão liberados para matar.

“Quando algum ato de covardia, extermínio de vida ou extorsões que forem comprovadas estiverem ocorrendo na rua ou nas cadeias por parte dos nossos inimigos (agentes penitenciários ou policiais) daremos uma resposta à altura do crime”, diz um trecho.

Ameaças.  “Se alguma vida for tirada com estes mecanismos pelos nossos inimigos, os integrantes do Comando que estiverem cadastrados na ‘quebrada’ (redutos) do ocorrido deverão se unir e dar o mesmo tratamento que eles merecem. Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue”, completa.

O antigo estatuto do ‘Partido’, criado à época do nascimento da facção, há 18 anos, não deixava explícito o tratamento a ser dado aos agentes e policiais.

A atualização, portanto, se fez necessária  depois do  maior atentado contra  as forças de segurança do Estado de São Paulo, ocorrida entre os dias 12 e 20 de maio de 2006.

Terror. No Vale, aconteceram 38 casos de homicídio neste período. Dois policiais militares morreram durante as ações. Quinze das 39 cidades da região foram atingidas. Foram registrados dois ataques a bases da PM, seis a delegacias, um à base da Guarda Municipal, dois a agências bancárias e 15 a ônibus.  Em São Paulo, foram  493 mortes por armas de fogo e 47 suspeitos foram executados por policiais em supostas trocas de tiros, registradas como ‘resistência seguida de morte’.

Polícia.
A Polícia Civil já teve acesso ao ‘novo  estatuto’ do PCC e garante estar preparada para combater os criminosos da principal facção do país.

A Polícia Militar, por meio da assessoria de imprensa, informou desconhecer o teor do documento. Ainda informou que ‘não fala sobre o PCC para não valorizar a organização criminosa’. Enquanto a PM informa desconhecer o novo estatuto, o PCC deixa seu recado, bem claro -- ‘Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue’.


Artigo 18 do estatuto

“Todo integrante tem o dever de agir com serenidade em cima de opressões, assassinatos e covardias realizadas por agentes penitenciários, policiais civis e militares. Quando algum ato de covardia, extermínio de vida, extorsões que foram comprovadas estiverem ocorrendo na rua ou nas cadeias, daremos uma resposta à altura. Se alguma vida for tirada com estes mecanismos, os integrantes que cadastrados na quebrada do ocorrido deverão se unir e dar o mesmo tratamento. Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue.”

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