Claudio Capucho
Em sua primeira visita ao Brasil, ator de Hollywood desembarca em São José para receber seu jato executivo de US$ 30 milhões; astro de ‘A Hora do Rush’ será o embaixador da fabricante na Ásia
Arthur Costa
São José dos Campos
Para crescer em meio aos efeitos da crise na economia mundial, a Embraer aposta suas fichas no mercado chinês, maior da Ásia, onde nos próximos 10 anos a demanda do setor de aviação executiva deve gerar negócios na ordem de US$ 21 bilhões.
Uma das estratégias da fabricante para se firmar nesse mercado é a contratação do ator Jackie Chan como ‘garoto-propaganda’. O astro chinês esteve ontem em São José dos Campos para receber seu Legacy 650, estimado em US$ 30 milhões.
Para o diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado, Chan é mais que um garoto-propaganda. “Prefiro o considerar um embaixador. Jackie tem valores muito parecidos com os da Embraer. Tem ambição, coragem, está sempre disposto a ajudar.”
O ator, em sua primeira visita ao Brasil, chegou ontem pela manhã à sede da empresa e passou o dia participando de ações publicitárias e conhecendo as instalações da Embraer, antes da cerimônia de entrega de seu jato personalizado. Chan deixa o país hoje, segundo ele mesmo, com seu “bebê”.
Cerimônia. Em meio aos convidados e executivos da empresa, todos de terno, Chan chegou de tênis branco e vestimenta típica chinesa. Roubou a cena e arrancou risadas ao quebrar o protocolo por diversas vezes. Numa delas, ao receber um berimbau de presente, chamou Frederico Curado para ‘jogar’ capoeira com ele.
Jackie Chan também esbanjou simpatia ao ajudar a servir o champagne para o brinde da entrega da aeronave e ao arrumar as cadeiras para a coletiva de imprensa.
Durante sua visita à linha de produção do Legacy, acenou para todos os funcionários. Sobre São José, o ator disse ter achado a cidade “limpa, organizada e com povo apaixonado”, e prometeu voltar ao Brasil a bordo de seu Legacy com a família para acompanhar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Produção. Outra ação da Embraer para ‘abocanhar’ grande parte dos US$ 21 bilhões é produzir o Legacy na China.
A fábrica da empresa na cidade de Harbin aguarda a liberação do governo local para iniciar sua produção. A estimativa é que o aval seja dado até o final de março. “É uma questão de tempo, trâmites burocráticos para que tenhamos a liberação do governo chinês”, disse Curado.
Mercado. A demanda por jatos executivos na China nos próximos 10 anos é de 630 aeronaves. Segundo Curado, não há estimativa de quanto a fabricante pretende abocanhar desse total, mas que o início da produção do Legacy no país pode significar vantagem sobre os concorrentes.
“Seremos a primeira empresa a fabricar jatos na China. Haverá outras, mas teremos alguns anos de dianteira”, afirmou o executivo.
Depois de pronta, a unidade de Harbin será capaz de produzir, inicialmente, seis aviões por ano. A capacidade total será de 24 por ano.
O DIA NA EMBRAER
CHEGADA
9H30: foi recebido por executivos da Embraer na sede da empresa, em São José
ações
10h: conheceu seu Legacy 650 por dentro e realizou ações publicitárias pelo resto da manhã
almoço
13h: Chan almoçou em um restaurante dentro da própria Embraer
visita
14h: o ator visitou as instalações da empresa e acompanhou o processo de produção do Legacy. Funcionários disseram que o astro acenou para os trabalhadores e mostrou simpatia durante a visita
cerimônia
17h: com tênis branco e vestimenta típica chinesa, Chan recebeu seu Legacy estilizado. Antes, assistiu a uma apresentação de capoeira ao lado de Curado e ganhou um berimbau de presente
partida
Hoje: Chan deixa o país hoje. Essa foi sua primeira visita ao Brasil. Ele prometeu voltar em 2014 para assistir à Copa