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February 4, 2012 - 03:01

Impasse em convênio prejudica usuários do SUS em Caraguá

Casa de Saúde Stella Maris, em Caraguá

Casa de Saúde Stella Maris, em Caraguá. Foto: Jules Verne/O VALE

Hospital Stella Maris afirma não ter serviços reajustados desde 2009 e médicos decidem restringir os atendimentos

Simone Gonçalves
Caraguatatuba

Impasse entre a Prefeitura de Caraguá e o Hospital Stella Maris causa prejuízos ao atendimento médico de usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) no Pronto-socorro e Santa Casa.
As duas unidades pertencem ao Stella Maris e são contratadas pela prefeitura para prestar os atendimentos. Contudo, o hospital afirma que os repasses do governo são insuficientes para a manutenção das despesas.
Por isso, médicos da unidades decidiram no último dia 1º restringir a prestação de serviços. O PS perdeu um médico clínico geral --os plantões eram compostos por cinco profissionais (três gerais, um pediatra e um ortopedista) e agora contam com quatro médicos.
O ambulatório de ortopedia, que recebe em média 25 pessoas diariamente, também foi fechado --são atendidos apenas ‘retornos’ de pacientes que passaram por cirurgia nos últimos 30 dias.
A redução dos serviços amplia a fila de espera dos pacientes. Os casos de urgência e emergência continuam a ter atendimento normal.

Repasses. A prefeitura repassa mensalmente ao Stella Maris R$ 1,6 milhão, acrescidos de R$ 20 mil referente a UTI neo-natal.
O hospital defende que precisa de R$ 1,9 milhão mensalmente para conseguir manter a unidade.
Ambos apresentam dados e versões diferentes para o impasse. Segundo o Stella Maris, a prefeitura se recusa a melhorar o valor, que estaria congelado desde 2009. Sem a ampliação, o hospital afirma que não pode conceder aumento salarial aos funcionários --são 491 na unidade.
Já a prefeitura afirma que o montante anual pago subiu de R$ 14,8 milhões em 2009 para R$ 19,2 milhões em 2011.
O impasse ganhou publicidade depois que hospital e prefeitura emitiram comunicados públicos sobre o caso.
“A carta é uma mentira deslavada do hospital, aumentamos os repasses”, disse o prefeito de Caraguá, Antonio Carlos da Silva (PSDB).

Justiça. O Stella Maris levou o caso ao Ministério Público em dezembro. Os agravantes para a medida foram a chegada da temporada de verão e falta de um novo convênio entre as partes --a prestação de serviços ocorre há três anos por aditivos ao convênio original.
“Nossos atendimentos crescem na temporada, pedimos o auxílio do MP porque a prefeitura se recusava a aumentar o repasse”, disse o gerente de relações institucionais do hospital, Amauri Toledo.
O MP entrou com ação e a Justiça determinou que o governo pagasse R$ 2,1 milhões em janeiro. A prefeitura recorreu e paga R$ 1,6 milhões. A promotoria não comentou.
Não há previsão para que os atendimentos sejam normalizados. Ontem, segundo o hospital, houve reunião com a prefeitura e outra ocorrerá na terça-feira para discutir o caso.


Em São José, espera por cirurgia pode passar de 1 ano
Simone Siqueira
São José dos Campos

Em São José dos Campos, os pacientes que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) podem ter que esperar quase dois anos para conseguirem fazer uma cirurgia.
É o caso do pedreiro Raimundo Batista Matoso, 58 anos, que já espera há mais de um ano e meio para operar um joelho e os dois ombros.
De acordo com ele, o problema e as dores no corpo acabam refletindo, também, no dia a dia do seu trabalho.
“Trabalho como pedreiro, faço muita força e movimentos. Não é justo ter que esperar tanto para cuidarem da minha saúde”, afirmou. Segundo ele, todas as tentativas até agora para buscar uma solução e agilizar a cirurgia foram em vão.

Outro lado. A Secretaria de Saúde informou que todos os pedidos de cirurgia são avaliados por especialistas da prefeitura, e agendados de acordo com a prioridade.
Segundo a pasta, o tratamento do pedreiro respeitou a gravidade e cronologia de outros casos também encaminhados para cirurgia. O tempo de espera depende da prioridade assinalada pelo médico que atendeu o paciente.

 

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