Policiais em frente à casa da senhora assassinada em Caraguá. Foto: Jules Verne/OVALE
Corpo foi localizado ontem por um parente na casa da vítima; ex-marido da empregada da mulher é o principal suspeito
Filipe Rodrigues
caraguá
A aposentada Vera das Graças Madureira Sales, 64 anos, foi encontrada morta na manhã de ontem, dentro de um baú na casa onde morava na região central de Caraguatatuba.
Vera estava desaparecida desde terça-feira. Neste período, familiares ficaram hospedados em sua casa na tentativa de localizá-la.
O corpo de Vera só foi encontrado porque os parentes sentiram um cheiro forte por volta das 9h de ontem. O baú ficava em um quarto de objetos sem uso (leia texto nesta página). Ela foi morta com pancadas na cabeça.
O principal suspeito pelo crime é o ex-marido da empregada de Vera, Luciano da Costa Almeida Lima, que teve prisão temporária decretada e está foragido.
Segundo a Polícia Civil, A., empregada de Vera era espancada por Lima e, por isso, a aposentada a convidou para morar com ela.
O enterro aconteceu no final da tarde de ontem, no cemitério de Caraguá.
Briga. Lima estava divorciado de A. há três anos e não se conformava com a separação. Juntos, eles tinham um filho de 14 anos, que está desaparecido.
Constantemente ameaçada de morte, A. morava há três semanas com Vera, que tentava protegê-la. No dia 26 de janeiro, a vítima encorajou a empregada a registrar um Boletim de Ocorrência contra o ex-marido.
Segundo a investigação, tudo indica que Vera tenha sido morta na madrugada do dia 31 de janeiro.
Neste dia, A. chegou em casa e Lima estava lhe esperando. Ele ainda a agrediu e para escapar, a vítima se jogou da janela da parte alta do sobrado \[em baixo, funcionava um salão de beleza\].
“O que acreditamos é que quando a empregada chegou, ele já tinha matado Vera e a escondido. A família acreditava que ela tinha sido sequestrada”, diz o delegado Maurício Ahvener.
Após conseguir fugir, A. correu até o pronto-socorro, onde ficou internada por cerca de 12 horas até ter alta.
Buscas. Vera era solteira e morava em Caraguá há mais de 40 anos. Toda sua família também é da cidade.
Ao saberem do desaparecimento, A., o coronel Paulo Roberto Madureira Sales, irmão de Vera, e suas duas filhas passaram a dormir na casa por causa das buscas.
A residência chegou a ser revistada por equipes da polícia e também pelos parentes, mas o corpo não havia sido encontrado.
“A cena do crime foi manipulada pelo bandido. Nossas equipes estiveram no local, mas a aparência é que ninguém entrava ali há anos”, diz o delegado Ahvener.
Parceiro. A polícia não descarta a hipótese que Lima teve ajuda para cometer o crime. No quarto abandonado, foram apreendidas uma máscara, uma faca e um pedaço de pau. A roupa com que a vítima foi encontrada passará por análise em laboratório em busca de pistas.
Família tinha expectativa de achar idosa com vida
Caraguá

O quarto onde ficava o baú em que o corpo de Vera foi achado era usado apenas para guardar objetos antigos.
Segundo o irmão da vítima, o coronel Paulo Roberto Madureira Sales, ex-comandante da PM em Mogi das Cruzes, o quarto chegou a ser vistoriado, mas a família suspeitava que Vera tinha sido vítima de sequestro.
“Acompanhei toda a investigação e chegamos a ter informações de que ela estava em cativeiro. Soubemos de um local e fomos até lá. Estava todo manipulado. Correntes na cama, vidros escuros. Tínhamos esperança de que cobrariam um resgate por ela”, diz ele.
O coronel afirma que, desde o início, os policiais sabiam que o crime tinha sido executado por Luciano Lima.
“Ele organizou tudo de forma perfeita para que ninguém a encontrasse. Todos os indícios eram de sequestro. Enquanto isso, ele desapareceu.”
Visitas. Apesar de morar sozinha, Vera tinha uma casa grande, com seis quartos. A aposentada gostava de receber visitas, principalmente, as sobrinhas que moravam na cidade.
“Minhas filhas já são crescidas. Uma tem 29 e a outra tem 27. Elas construíram a vida em Caraguá e a Vera era como uma mãe. Gostava de cozinhar para elas, fazer festa.”
Os pais de Vera e Paulo Roberto ainda são vivos e moram em outra casa, também no centro de Caraguá. A família Sales é tradicional na cidade.
Solidária. Vera era religiosa e fazia parte de grupos de ajuda a pessoas carentes.
“Ela vivia para fazer bem para os outros. Uma prova disso é que ela morreu defendendo uma mulher de um psicopata. Uma pessoa que agiu friamente e planejou toda essa maldade”, afirma o coronel.
ENTENDA O CASO
crime
Vera das Graças Madureira Sales, 64 anos, foi encontrada morta por volta das 9h da manhã dentro de um baú, que ficava em um quarto abandonado, na casa onde morava, no centro de Caraguá
desaparecida
A aposentada estava desaparecida desde a madrugada da última terça-feira, quando o principal suspeito pelo crime, Luciano Lima, invadiu a casa para agredir sua ex-mulher, que era empregada de Vera Sales
buscas
A família de Vera se mudou para a casa da aposentada após o desaparecimento. Os parentes ainda acreditavam que a mulher podia ser vítima de um sequestro e que ela estava em algum cativeiro
encontrada
O quarto onde Vera foi encontrada era usado para guardar coisas antigas e aparentava não ser usado há anos. A idosa só foi encontrada porque parentes sentiram um cheiro forte vindo do quarto
Cuidadora
Vera se tornou vítima em potencial ao chamar sua empregada para morar em sua casa, como forma de protegê-la das ameaças que eram feitas por seu ex-marido, com quem tinham um filho de 14 anos
Manipulação
O acusado pelo crime mexeu em toda a cena do crime após matar Vera com pancadas na cabeça. Na primeira vez que a Polícia Civil foi ao local, a impressão do delegado responsável era de que ninguém entrava no local há anos
Família
Vera morava em Caraguá há 40 anos. Era solteira e cuidava das sobrinhas, de 27 e 29 anos, como se fossem suas filhas, já que o pai delas, coronel da PM, atuava em Mogi
pistas
A Polícia Civil não descarta que Lima teve ajuda para cometer o homicídio. A roupa da vítima passará por análise