Em evento no Palácio Boa Vista, governador Geraldo Alckmin também prometeu ampliar rede de assistência social em bolsões de pobreza
Filipe Manoukian
Campos do Jordão
Com a criação da RMVale, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que dará início a um projeto conjunto com os municípios para acabar com moradias em áreas de risco na região.
“Vamos priorizar a construção de moradias para pessoas em áreas de risco, com construção e carta de crédito”, afirmou.
O tucano disse que as prefeituras da região deverão apresentar o mapeamento das áreas de risco.
“A gente liga a televisão e é tragédia, tragédia, tragédia nesta época do verão. Graças a Deus, no Brasil não temos tsunami, não temos terremotos, mas temos chuva e temos encostas”, disse Alckmin.
A ideia do governador é evitar situações similares à ocorrida em São José em janeiro do ano passado, quando deslizamentos de terra no Rio Comprido, bairro irregular, mataram cinco pessoas.
Prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB) apontou que “uma série de cidades enfrentam esse problemas de casas em áreas de risco, como na beira do Rio Paraíba”, informando que a mesa de reuniões permanentes que é a RMVale possibilitará meios para evitar futuros desastres.
“Um projeto de remoção dessas casas, com contrapartidas do governo federal e estadual agora é possível”, disse.
Pobreza. O anúncio da cruzada contra as moradias em áreas de risco segue a cartilha do projeto que cria a RMVale, segundo Alckmin.
O objetivo que norteia o projeto é o de promover “o planejamento regional para o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida” da população do Vale.
Para tanto, o governo afirma que reduzir a pobreza e a miséria é vital.
Questionado ontem sobre como reduzir a pobreza, Alckmin afirmou que realizará um trabalho de “natureza social”.
“Vamos ampliar o Ação Jovem, o Renda Cidadã, os programas sociais. Vamos fortalecer a economia, seja a agricultura, o turismo, as microempresas e pequenas empresas, seja o setor de serviços, o artesanato”, afirmou, explicando que fomentará a economia de acordo com o perfil da região.
Em todo o Estado, segundo o governador, existem 300 mil famílias --cerca de 1 milhão de pessoas-- vivendo abaixo da linha de pobreza. Tratam-se de pessoas que passam o mês com menos de R$ 70.
“Temos, na nossa região, realidades muito díspares. É só comparar Areias, Bananal com São José. A RM vem como um instrumento para trazer mais justiça, mais distribuição de renda”, afirmou o deputado estadual Afonso Lobato (PV), que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
Parafraseando o prefeito de Caçapava, Carlos Vilela (PSD), Afonso Lobato disse que os prefeitos deixam de ser prefeitos de cidades com 50, 100 ou 600 mil habitantes, sendo prefeitos agora “de uma cidade com 2,2 milhões de habitantes”.
Apelos. Ao tema moradia e pobreza, prefeitos da região apontaram outras demandas que, do ponto de vista deles, devem ser discutidas e solucionadas junto ao Estado.
“A destinação do lixo, a oferta de Saúde, as estradas são problemas comuns a todos os prefeitos. São problemas que agora poderão ser solucionados”, afirmou a prefeita de Campos do Jordão, Ana Cristina César (PPS).
SAIBA MAIS
Divisões
A RMVale, para possibilitar um planejamento mais próximos às realidades de cada região do Vale e Litoral, será sub-dividida em cinco microrregiões (São José, Taubaté, Litoral Norte, Guaratinguetá e Cruzeiro)
Conselhos
O órgão máximo da RMVale será o Conselho Consultivo, formado por prefeitos e Estado. Haverá, também, um Conselho Consultivo para cada sub-região, composto por representantes da sociedade civil organizada
Público
A cada seis meses, serão realizadas audiências públicas para prestação de contas à sociedade. Nela, serão detalhadas as contas do dinheiro arrecado pela Fundo e como a verba está sendo aplicada
Maluf rouba a cena em evento
Em discurso, deputado federal do PP rasgou elogios a Geraldo Alckmin, de quem já foi
um contundentes adversário político
Campos do Jordão

Antes adversários, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o deputado federal Paulo Maluf (PP) trocaram elogios durante o evento de sanção da lei que criou a RMVale, realizado ontem, em Campos do Jordão.
Ex-governador, Maluf sentiu-se em casa no Palácio Boa Vista (residência oficial de inverno dos governadores de São Paulo), sendo o único, além de Alckmin, com direito a desembarcar já dentro do palácio --prefeitos, demais deputados e convidados não tiveram a mesma regalia.
Com a ausência dos dois deputados federais da região, Carlinhos Almeida (PT), em férias, segundo sua assessoria, e Emanuel Fernandes (PSDB), que não foi localizado, Maluf roubou a cena.
Em seu discurso, disse que Geraldo Alckmin “é um governador com G maiúsculo, pelo aspecto de ética e eficiência”, “um sacerdote a serviço dos mais humildes”.
O tucano, por sua vez, se referiu ao deputado federal do PP como “um grande amigo do Estado”.
Palanque. A troca de elogios marca a reaproximação de Alckmin e Maluf, ex-adversários políticos. A rivalidade entre os dois começou em 2000, quando disputaram a Prefeitura de São Paulo --naquele ano, com Marta Suplicy (PT) e Maluf no segundo turno, o PSDB preferiu apoiar a petista.
O tucano e o progressista voltaram a se enfrentar em 2002, na disputa pelo Estado, vencida por Alckmin, e em 2008, novamente pela prefeitura da capital --vitória de Gilberto Kassab (PSD).
Atualmente, o partido de Maluf integra a base de apoio de Alckmin.