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February 4, 2012 - 03:01

Desalojados ocupam 40 casas no Rio Comprido

Crianças brincam em uma das casas que foram ocupadas por famílias sem-teto no Rio Comprido

Victor Moriyama

Com superlotação de abrigos, ex-moradores do Pinheirinho migram para áreas de risco na zona sul

Filipe Manoukian
São José dos Campos

Com 234 casas condenadas abandonadas, o Rio Comprido, na zona sul de São José, tornou-se o destino de dezenas de pessoas desalojadas da antiga ocupação do Pinheirinho. Já são, pelo menos, 40 famílias abrigadas em imóveis em áreas de risco no bairro.
Só ontem, O VALE encontrou três famílias procurando casas para se abrigar no bairro. Antes, elas estavam acolhidas num dos quatro abrigos oferecidos pela Prefeitura de São José aos sem-teto.
O êxodo dos desalojados rumo às casas condenadas tende a aumentar. A possibilidade de deixar o aperto e a falta de privacidade dos abrigos soa de forma “atrativa” às famílias.
“Não tem outro jeito. Não tenho como guardar as poucas coisas que tirei de casa no abrigo e nem em nenhum outro lugar. Por isso vim para cá”, disse o desempregado Luiz Sebastião da Silva, 30 anos, que ontem cuidava de puxar ligações clandestinas de água e luz para a casa que escolheu.

Temporário. O aposentado por invalidez Eduardo Feitosa Oliveira, 28 anos, também chegou ontem ao Rio Comprido em busca de uma moradia.
Pai solteiro de dois meninos, com 9 e 8 anos, Oliveira só se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas. Achar uma casa que possibilite seus deslocamentos levou tempo, já que a maioria dos imóveis se encontra em encostas e contam com escadas.
Mesmo assim, ele disse que vai permanecer no bairro. “É temporário, até eu encontrar outro lugar”, afirmou.
De uma forma geral, os imóveis ocupados exibem grandes rachaduras, colunas estruturais danificadas, muito lixo e entulho ao seu redor.
As casas foram abandonadas em janeiro de 2011, quando um deslizamento de terra matou cinco pessoas no bairro. Quase todas as construções já não contam com portas e janelas e, em alguns casos, nem com telhas --os materiais teriam sido saqueados.
Essa não é a primeira investida dos sem-teto no Rio Comprido. Logo após a reintegração de posse do Pinheirinho, no dia 22, 13 famílias procuraram abrigo nas casas condenadas do bairro, mas acabaram convencidas por assistentes sociais da prefeitura a migrar para os abrigos municipais.

Abordagem. A prefeitura informou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai dar início a um trabalho de conscientização, com uma abordagem pacífica, junto aos desalojados que mudaram nos últimos dias para o Rio Comprido.
A ideia é, com o cheque do aluguel social de R$ 500 em mãos, convencê-los a deixar os imóveis condenados.

 

Prefeitura realiza plantão do aluguel social hoje
São José dos Campos

A prefeitura realizará um plantão especial hoje para acelerar a distribuição dos cheques do aluguel social às famílias expulsas do Pinheirinho e, aos poucos, esvaziar os abrigos municipais.
A meta é concluir a liberação do auxílio-moradia até a o fim da próxima semana. Ao todo, 1.250 famílias estão cadastradas na prefeitura, mas somente 900 delas estariam aptas a receber o beneficio.
Nesta primeira parcela, as famílias recebem R$ 1.000 --sendo R$ 500 de auxílio mudança e outros R$ 500 do aluguel social. A próxima parcela de R$ 500 será no dia 28.
A prefeitura informou que, até a noite de ontem, 268 famílias sem-teto haviam recebido o benefício. A destinação dos cheques reduziu a ocupação dos abrigos em 40%.
A liberação do auxílio é condicionada a saída imediata das famílias dos abrigos. Muitas delas ainda não conseguiram alugar uma casa.

 

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