Aaron Kawai
Rogério Marques
Chegada de bancos, lojas e restaurantes valoriza imóveis e garante qualidade de vida em regiões de São José e Taubaté
Arthur Costa
São José dos Campos
Há 25 anos, Hermes da Fonseca Filho, 53 anos, comprou um ponto comercial no Jardim Motorama, São José dos Campos, próximo à avenida Pedro Friggi.
À época, pagou R$ 20 mil, financiados, como faz questão de lembrar. Hoje, esse mesmo ponto onde funciona uma loja de assistência técnica vale R$ 180 mil, uma valorização de 800%.
“De uns oito anos para cá, a região começou a se desenvolver. Mas faz três anos que houve esse boom”, conta o técnico em refrigeração.
O boom citado por Hermes foi a chegada de agências bancárias, supermercados e o fortalecimento do comércio em geral, que fez surgir um novo polo comercial em São José.
Essa situação não é exclusiva da avenida Pedro Friggi. Nos últimos 10 anos, pelo menos outros dois polos surgiram em bairros da cidade.
A Vila Industrial e a Vila Ema são exemplos dessa descentralização de serviços em São José.
“Fui gerente da Caixa Econômica Federal na Vila Industrial. Há 10 anos, quando inauguramos a agência no bairro, havia apenas um posto avançado do então Banespa dentro de um posto de gasolina. Hoje, todos os bancos tem agência lá”, diz o advogado Francisco Augusto Carlos Monteiro, 46 anos.
O desenvolvimento desses polos comerciais chama a atenção de empresas do ramo da construção civil. A Plano & Plano pretende lançar um empreendimento residencial de 24 mil m2 em agosto na Vila Industrial.
“Analisamos ofertas em várias regiões de São José, mas depois de estudar cada uma delas, percebemos que as pessoas que moram naquela região não querem sair dali pela infraestrutura e o comércio”, afirma o gerente de incorporações da Plano & Plano, Luiz Armando Fairbanks de Sá.
Expansão. Em Taubaté, a região próxima ao shopping da cidade sofreu uma transformação nos últimos 10 anos.
Desde a chegada do condomínio Taubaté Village, as avenidas Charles Schneider e Itália recebem agências bancárias, bares, restaurantes e empreendimentos residenciais.
“Diria que houve uma valorização de 300% nos imóveis da região durante esse período de desenvolvimento”, analisa o presidente da Acist (Associação de Construtoras Imobiliárias e Serviços Correlatos de Taubaté), Hodges Danelli.
Para ele, a tendência é que essa expansão aconteça até Quiririm. “Todos os bancos estão ali. Próximo a Quiririm, num prazo de cinco anos, muita coisa mudará”, afirma.
Zoneamento ajuda a fortalecer regiões
São José dos Campos
O secretário de Planejamento Urbano de São José, Oswaldo Vieira, ressalta que a Lei de Zoneamento da cidade contribui para o aparecimento dos novos polos.
“Trabalhamos nesse aspecto para propiciar o menor deslocamento possível para os moradores. É importante que cada região proporcione essa comodidade. Assim, você desafoga o centro”, destaca Vieira.
Ele lembra que o Jardim Satélite foi um dos primeiros novos polos comerciais fora do centro em um processo que começou há 15 anos.
“Existe a demanda e rapidamente o comércio investe”, explica o secretário, que disse perceber a criação de novos centros comerciais nas regiões do Parque Industrial, nos arredores da avenida Bacabal, no Urbanova e no Aquarius.
“A intenção é consolidar novos polos em toda a cidade. Se você pegar a região do Putim, vai parecer que os moradores estão longes do centro, mas o crescimento dessa demanda faz com que essas regiões acabem se desenvolvendo”, completa Vieira.
Tendência. Para o gerente de incorporações da construtora Plano & Plano, Luiz Armando Fairbanks de Sá, essa comodidade dos moradores é uma tendência mundial.
“As pessoas querem cada vez menos perder tempo no trânsito ou cruzar a cidade para fazer um serviço e efetuar uma compra que poderia ser feita em seu bairro. Os empreendimentos têm levado em consideração essa tendência mundial. Nos estudos que realizamos, constatamos que a principal preocupação das pessoas é o trânsito”, destaca.