Victor Moriyama
Inaugurada há um ano e meio, pista tem placas pichadas e danificadas; usuários pedem manutenção
Chico Pereira
São José dos Campos
Um ano e meio após ser inaugurada pela Prefeitura de São José dos Campos como mais um equipamento de lazer para a comunidade, a ciclovia do Parque da Cidade ‘Roberto Burle Marx’, maior área verde urbana da cidade, está praticamente abandonada.
Quem percorrer a trilha, implantada no final de 2009, nota que a ciclovia não recebe manutenção.
O VALE percorreu a pista esta semana e constatou que as placas de sinalização dos dois quilômetros da ciclovia foram alvo de vandalismo.
Em cinco dos 19 pontos de sinalização as placas simplesmente foram arrancadas. Outras duas foram pichadas e uma terceira placa está danificada.
O canteiro central que separa a ciclovia da pista de caminhada também está danificado em vários trechos.
Em alguns pontos o canteiro foi quebrado e há muito tempo todo ele não recebe uma ‘mão’ de tinta.
Usuários reclamam do descaso. “É uma pena. O estado de abandono da pista destoa do restante do parque, que está bem cuidado”, afirmou o estudante Leandro Costa, 21 anos, que costuma pedalar duas vezes por semana no local.
“Vandalismo é terrível. A gente nota que o parque recebe manutenção, mas ainda tem muita gente que não sabe preservar essa beleza”, afirmou Lourdes Prado Mendes, que reside nas imediações e faz caminhada no Parque da Cidade.
Responsabilidade. A Semea (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) é a gestora da área verde, mas, segundo o secretário André Miragaia, a administração do parque é compartilhada.
“Nós fazemos a gestão ambiental e cuidados da preservação do meio ambiente. A manutenção e conservação é feita pela Secretaria de Serviços Municipais e a segurança, pela Secretaria de Defesa do Cidadão”, disse o secretário.
Miragaia afirmou que é uma “situação difícil”. Ele explicou que o parque é todo aberto e serve de passagem para moradores das vilas do entorno, por isso, não pode ser fechado, o que facilita, por exemplo, a entrada de pessoas à noite.
“Os guardas civis municipais fazem ronda permanente, mas a área é grande e não há como manter um guarda em cada canto do parque”, disse.
Além do vandalismo, foram registrados tentativa de estupro e um homicídio no local.
Providências. O secretário relatou que a Semea vai solicitar a reposição das placas.
Outra providência é a inclusão do parque no programa de monitoramento por câmeras de vídeo. “Já pedimos a inclusão do parque no programa de monitoramento eletrônico da Secretaria de Defesa do Cidadão”, afirmou Miragaia.
A assessoria da pasta informou que mantém uma equipe de 14 guardas municipais 24 horas por dia no parque.
A pasta também informou que a instalação de câmeras no parque está em fase de projeto e que há uma próxima entrada.
Residência. Fechada ao público há praticamente 15 anos, a Residência Olivo Gomes, a principal edificação da área verde, se transformou em ‘elefante branco’ para o governo.
Há cerca de três semanas a Fundação Cultural Cassiano Ricardo abriu um espaço denominado Bosque de Leitura, no salão de festas, que funciona aos sábados e domingos.
O restante do imóvel permanece fechado e sem previsão de restauro e abertura.
“Autorizamos eventos e visitações para grupos fechados, que é da competência da pasta”, informou Miragaia.
Para Edmundo Carvalho, da Sociedade Amigos do Parque da Cidade, “imóvel ocupado é imóvel preservado”.
Na avaliação do ambientalista Lincoln Delgado do Parque da Cidade é “uma preciosidade e a prefeitura precisa dar mais atenção ao espaço”.
Comphac aprova borboletário
São José dos Campos
O Comphac (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico) aprovou a implantação de um borboletário e de um orquidário no Parque da Cidade ‘Roberto Burle Marx’.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente começou tratativas para a implementação das novas atrações.
De acordo com William Alvarenga Portela, diretor de gestão ambiental da pasta, o borboletário será instalado em uma área próxima ao antigo estábulo e terá cerca de 200 metros quadrados.
O local terá uma área para estudos e para exposição das espécies de borboletas do parque. “Catalogamos 16 espécies”, afirmou Portela.
O orquidário também terá apenas espécies nativas da área verde e será implantado no antigo viveiro de pássaros, próximo à Casa Olivo Gomes.
Segundo Portela, a intenção é envolver cultivadores da planta no processo de coleta das espécies nas matas.
SAIBA MAIS
Área verde
O Parque da Cidade foi criado em 1995 e ocupa área de 516 mil metros quadrados
Tombado
O espaço é patrimônio tombado pelo município e pelo governo do Estado
Residência
A Casa Olivo Gomes, projeto do arquiteto Lino Revi, é a edificação mais importante
Área verde
O jardim da residência foi projetado pelo paisagista Burle Marx, que dá nome ao local
Ciclovia
A ciclovia do parque possui 2 km e foi aberta em 2009