Isaac do Carmo - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté
A batalha da presidenta Dilma Rousseff com os bancos para baixar os juros precisa do apoio de toda a sociedade. No movimento sindical, há tempos empunhamos esta bandeira, conscientes de que a produção do país, e consequentemente o crescimento do emprego e da renda, dependem de uma oferta de crédito mais competitiva com o mundo lá fora.
Nunca antes neste país um político teve a coragem de apontar o dedo diretamente aos bancos privados como fez a presidenta. Mas essa batalha só começou. E agora enfrentamos uma nova ameaça. A queda na produção das montadoras e o acúmulo de veículos nas concessionárias têm sido provocados pela má vontade dos bancos na liberação de financiamentos para as vendas no setor automotivo. É uma queda de braço entre o governo e os bancos privados, que não gostaram de se ver forçados a seguir os bancos públicos na redução dos juros.
Essa atitude é uma postura irresponsável, que pode prejudicar seriamente o desenvolvimento nacional. Os trabalhadores e a economia do país não podem pagar a conta dessa intransigência dos bancos privados em busca de lucros cada vez maiores.
Nós vamos engrossar essa luta cobrando dos bancos que pensem mais no futuro do país e menos no lucro rápido. É hora de entenderem que quando crescemos juntos, o país inteiro ganha, inclusive eles.
Os metalúrgicos de Taubaté darão uma contribuição bastante concreta. Estamos pressionando as empresas para que negociem com os bancos que fazem o pagamento dos seus funcionários juros menores no crédito oferecido. Caso contrário, vamos passar a cobrar das empresas que mudem a gestão dos salários para os bancos públicos que estão reduzindo suas taxas.
Da mesma forma, toda a sociedade deve se levantar e deixar claro que o Brasil não vai abrir mão de continuar a crescer, distribuir renda e combater a pobreza.