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May 17, 2012 - 04:02

A megalópole valeparaibana

Luiz Paulo Costa - Jornalista em São José dos Campos


Embora seja válida e importante a afirmação de que "o Vale do Paraíba é uma cidade só" (frase cunhada pelo ex-prefeito de São José, Sérgio Sobral de Oliveira, no início da década de 70, para justificar a fundação do Codivap), os cidadãos de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Aparecida, Lorena, Guaratinguetá, Cruzeiro e das demais cidades valeparaibanas se orgulham da história de seus municípios, se identificam com suas cidades e gostariam, mesmo sendo favoráveis à regionalização, de continuar reconhecendo suas cidades. A união regional se dá em função de interesses comuns e não pela uniformização de suas áreas urbanas, como aconteceu com a região do ABC na Grande São Paulo.
A questão da megapoliza-ção do Vale do Paraíba surgiu com os primeiros estudos urbanísticos realizados pelo Cepeu (Centro de Pesquisas e Estudos Urbanos) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no final da década de 50. Porém, foi a publicação da edição especial da revista "Realidade", em maio de 1972, intitulada "Nossas Cidades", que marcou a passagem do País de predominância rural para urbana (o Censo de 70, pela primeira vez, registrou maioria da população brasileira nas cidades), que a formação da super-cidade entre o Rio e São Paulo foi mostrada a todo o Brasil. A edição venceu o Prêmio Esso de Jornalismo e recebeu a Menção Honrosa da Primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada pelas Nações Unidas.
A importância geopolítica do Vale do Paraíba (paulista, fluminense e mineiro) é inquestionável. Aqui, mais de 50% do PIB nacional (Produto Interno Bruto) encontra-se concentrado. É, de longe, o maior polo econômico e tecno-lógico da América Latina. Urge, no entanto, que as cidades valeparaibanas se preocupem em manter as suas próprias identidades para que a nossa região não venha a ser uma nova Grande São Paulo, onde não se consegue distinguir, a não ser com muito esforço e imaginação, São Bernardo do Campo de Diadema ou Santo André de São Caetano do Sul.
A perda da identidade das cidades tem implicações no cotidiano das pessoas. É como se o próprio cidadão perdesse a sua identidade, não soubesse mais quem é. A pessoa passa a não mais valorizar o espaço urbano em que vive. O espaço urbano passa a ser um não-lugar. Tanto faz para ele morar aqui ou ali, é tudo a mesma coisa. E que falta não faz reconhecer o lugar em que se nasceu, em que se vive?! Preenche a vida das pessoas. O ser humano não pode perder a sua própria dimensão. E para que as cidades não percam a dimensão do ser humano, é preciso que a própria pessoa humana se reconheça em sua cidade.
Apesar do Codivap estar criado desde o início da década de 70, não se tinha notícia de nenhuma reunião realizada para discutir a megapoliza-ção do Vale do Paraíba. Nem mesmo cidades em processo acelerado de conurbação --como são os casos de São José, Jacareí e Caçapava, Taubaté e Tremembé, Aparecida, Guaratinguetá e Lorena-- sentaram-se à mesa para discutir a união de suas malhas urbanas.
Já aconteceram inúmeros problemas provenientes de conurbações, como de iluminação pública, abastecimento de água, transporte coletivo, etc., tudo resolvido ou não sem levar a nenhuma discussão mais aprofundada sobre as cidades que se juntam. A institucionalização, em lei estadual, da Região Metropolitana do Vale do Paraíba revive as esperanças dos codivapeanos da década de 1970: o Vale do Paraíba é uma cidade só!

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