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Em dois meses e meio de mandato, o governo Jair Bolsonaro (PSL) parece estar firme na disputa pelo maior número de polêmicas em menor tempo. De maneira incrível, a impressão é que não há um dia sequer no Brasil bolsonarista que algum tema não cause rebuliço, que alguém não fale o que não devia, ou que alguém volte atrás no que não deveria ter feito. Dessa vez, o mais novo escândalo de Brasília vem do Ministério da Educação, e tem o Vale do Paraíba como protagonista. Isso porque a pasta, chefiada pelo ministro Ricardo Vélez (aquele do pedido para gravação das crianças cantando o Hino Nacional), teima em não concordar sobre quem ocupará a Secretaria-Executiva, cargo considerado o segundo de mais alto escalão do MEC. Até agora, foram três indicações para o cargo -- todos profissionais ligados ao Vale. O ano começou com Luiz Antonio Tozi, que foi exonerado na semana passada após ser alvo de críticas de membros do governo ligados ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, uma espécie de "guru torto" de Bolsonaro. Seu substituto seria Rubens Barreto Silva, secretário-executivo adjunto da pasta, mas ele nem chegou a assumir de tão fritado que foi internamente. Os dois, Barreto e Tozi, integraram a direção da Fatec de São José dos Campos. De olho em agradar evangélicos e 'olavistas', duas das alas mais influentes do MEC, o ministro escolheu Iolene Lima, também de São José. Ligada à Igreja da Cidade e ex-diretora do Colégio Inspire, ela era uma aposta dada como certa por Vélez, que apresentou Iolene no Twitter. Mas talvez não dê muito certo. Iolene também nem assumiu e os corredores de Brasília já apontam que Onyx Lorenzoni, o ministro-chefe da Casa Civil, teria vetado a nomeação. Em um governo em que se tornou comum o vai e vem de notícias, o mente e desmente de informações e as costumeiras 'fake news', a crise no Ministério da Educação é mais um 'case' de como não se portar. Bolsonaro, que se elegeu com a promessa de fazer diferente, por enquanto consegue: vai até superando antigos presidentes em problemas envolvidos nos primeiros dias de mandato. Chegou a hora de resolver, logo, e não deixar o futuro do país em um eterno vai e vem..  
A Câmara de Taubaté até tentou adiar o inevitável, mas não teve jeito: três meses após o jornal revelar que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Enchentes havia perdido o prazo para apresentar o relatório final, o Legislativo oficializou nessa sexta-feira a extinção da comissão. Nesse ponto, é importante frisar que a CPI não deixou apenas de apresentar o relatório. Tomando como base apenas medidas práticas, a comissão sequer existiu. A CPI, que teve a criação aprovada em 26 de março do ano passado, e que foi aberta oficialmente no dia 7 de junho, teria 90 dias para concluir os trabalhos. Até poderia pedir a prorrogação do prazo, mas não o fez. Assim como nada fez também nos três meses em que esteve aberta: não foi feita nenhuma reunião pública e não foi realizado nenhum depoimento. Se você acha que essa lambança é um caso isolado, basta lembrar o histórico recente da Câmara de Taubaté. Na legislatura passada, de entre os anos de 2013 e 2016, quatro CPIs foram extintas na Casa por perderem o prazo para apresentação do relatório final. Essa morte prematura das CPIs é ocasionada por um estratégia de blindagem armada pela base governista, que é maioria na Câmara desde 2013, para proteger o governo Ortiz Junior (PSDB), iniciado naquele ano. A estratégia é simples: pelo regimento interno, apenas três CPIs podem funcionar ao mesmo tempo. Os governistas agem, então, para manter sempre três comissões abertas, impedindo que uma denúncia da oposição possa surgir e desgastar o prefeito. Por exemplo: bastou a CPI da Unitau concluir os trabalhos que os governistas já propuseram a CPI da Sabesp. A CPI da Enchentes foi extinta? Já tem outra CPI engatilhada. E assim, as CPIs, que deveriam ser um instrumento importante de fiscalização, viram meros circos nas mãos de vereadores pouco comprometidos com esse papel. As CPIs extintas por perderem prazo são apenas parte do problema. As outras, que realizam depoimentos e apresentam relatórios finais, costumam ir do nada ao lugar nenhum. Enquanto os vereadores fingem que fiscalizam, será que alguém acredita?.  
A tragédia ocorrida nessa quarta-feira em Suzano, que deixou oito pessoas mortas, além dos dois atiradores, deixou também um país inteiro de luto. Durante o dia inteiro, os brasileiros acompanharam, horrorizados, as notícias que vinham da escola Raul Brasil e seus desdobramentos. Esse mesmo país que está de luto também deve aproveitar o momento para fazer uma reflexão: o que temos feito para evitar que tragédias como essa, que estão cada vez mais comuns no Brasil, se repitam? Que medidas foram adotadas desde 11 de dezembro de 2018, quando um homem abriu fogo na Catedral Metropolitana de Campinas, matando quatro pessoas, além dele mesmo? O que fizemos de diferente após um homem matar 11 pessoas de uma mesma família -- entre elas, sua ex-mulher e seu filho -- e depois se matar, também em Campinas, durante o último Réveillon? De lá para cá, a única medida tomada a respeito parece, na verdade, piorar ainda mais essa triste realidade: o governo federal decidiu facilitar a posse de armas no Brasil, com intenção futura de ampliar também o porte. Ou seja, desde então já está mais fácil ter uma arma em casa. Futuramente, a vontade de nossos governantes é que as regras permitam também que a população circule armada pelas ruas. Em que isso resolve nosso problemas de segurança (ou insegurança)? Em um país que registra, segundo os dados oficiais, mais de 60 mil casos de homicídio por ano, sendo mais de 70% deles sendo cometidos com armas de fogo, o objetivo de nossos governantes não deveria ser adotar medidas rigorosas para tirar todas as armas (regularizadas ou não) de circulação e combater a entrada clandestina de armamentos no Brasil? No mundo político, as reações à tragédia foram bizarras. O vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), por exemplo, disse que a preocupação dele é com "videogames violentos". O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que uma arma "faz tão mal quanto um carro". O senador Major Olímpio (PSL) disse que, se os professores estivessem armados, a tragédia seria evitada. Pelo visto, o Brasil vai virar um faroeste especializado em contagem de mortos..  
Mais um dia comum. Nesta terça-feira, a Câmara de São José optou por rejeitar as denúncias e absolver o vereador Maninho Cem Por Cento (PTB) das supostas irregularidades que teria cometido. As denúncias iam de doações eleitorais irregulares a desvio de função de cargo comissionado, pairando por cobrança de 'pedágio' por indicações a cargos comissionados na prefeitura. Na visão da Comissão Processante criada para investigar o caso, faltaram provas ou indícios que comprovassem as denúncias, apesar de testemunhas confirmarem o pagamento de pedágio. Nessa terça, os vereadores ouviram a íntegra do relatório da Comissão e puderam votar, denúncia por denúncia, se iriam absolver o vereador. De forma unânime, todos os parlamentares optaram por rejeitar as denúncias e, consequentemente, arquivar o caso, absolvendo Maninho. E surpreendendo um total de zero pessoas. Essa definição já era esperada, e por uma série de motivos. Eles começam ainda em 2017, quando, em situação semelhante, uma manobra do então presidente Juvenil Silvério (PSDB) evitou que Maninho tivesse sua cassação votada em plenário. Na ocasião, era outra denúncia: a de que o vereador mantinha em seu gabinete um funcionário pago pela Câmara, mas que cumpria expediente em seu empreendimento particular. Já no ano passado, uma verdadeira trapalhada. O "sorteio", entre aspas mesmo, dos vereadores que iriam compor a comissão que investigaria Maninho virou case do que não se fazer no poder público, e obrigou a própria Câmara a refazer o rito. Aliás, o Ministério Público acionou o Legislativo por suposta fraude no caso. Enfim. Maninho está a salvo pela segunda vez em dois anos, e enche o peito para negar as acusações e se dizer vítima de perseguição -- lembrando, todos os casos citados foram revelados por OVALE. Os documentos usados na apuração chegaram a ser solicitados pela Promotoria. Ainda há, na Justiça, um processo contra o vereador -- o Tribunal de Justiça determinou em segunda instância que novas provas sejam reunidas. A torcida geral, de apoiadores e críticos, é de que Maninho possa cumprir seu mandato sem mais polêmicas, sem irregularidades e em prol do povo. Mas o resultado de hoje era 100% esperado..  
Econhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Este versículo bíblico, encontrado em João 8:32, foi alçado por Jair Bolsonaro (PSL) como o lema de sua campanha presidencial. Uma campanha bélica, é bom destacar, em que a disseminação das fake news, de boatos e mentiras atingiu um patamar 'nunca antes visto na história do Brasil', principalmente por meio do WhatsApp. Vitorioso nas urnas, o capitão reformado do Exército também praticou diversos ataques à imprensa durante o curso do pleito e também depois de eleito -- vale lembrar a ameaça de cortar verba publicitária governamental da Folha de S. Paulo, simplesmente porque a publicação revelou o caso de sua assessora fantasma de Bolsonaro e o financiamento de disparos em massa de mensagens contra seus adversários, bancado por empresários ligados ao pesselista. Já eleito, o presidente aconselhou os brasileiros a informarem-se por meio de youtuber, deixando de lado a imprensa tradicional -- a mesma que cumpre o seu papel, aprofundando a investigação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e as relações do clã Bolsonaro com milicianos no Rio de Janeiro. Responsável por este governo -- ou seria desgoverno? -- até aqui claudicante e errático, que tem se caracterizado por recuos, bateção de cabeças e pela capacidade de criar crises em só 140 caracteres, Bolsonaro voltou a atacar a imprensa neste fim de semana. Acusado por seus opositores de ser disseminador de fake news, o presidente usou uma declaração falsa, publicadas por um site que reúne colunistas a favor do governo, para atacar o jornalismo. Via Twitter, Bolsonaro endossou a tese publicada pelo site, chamado 'Terça Livre', atribuindo a uma jornalista do Estado de S. Paulo a falsa afirmação de que a intenção do jornal era 'arruinar Flávio Bolsonaro e o governo'. Essa frase é fake. Mentira deslavada. O alvo da mentira foi a repórter Constança Rezende, que integra a cobertura do escândalo envolvendo o assessor Fabrício Queiroz e Flávio, o filho mais velho de Bolsonaro. Queiroz movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos e a suspeita do Coaf é de que havia no gabinete do filho de Bolsonaro, então deputado estadual no Rio de Janeiro e hoje senador, um esquema de 'pedágio'. Ao invés de atacar à imprensa e para isso lançar mão de mentiras, Bolsonaro devia dedicar-se a buscar explicações a respeito do chamado laranjal do seu partido, sobre a assustadora movimentação financeira de Queiroz e a relação de seu filho com milicianos. Não dá para atacar o carteiro só por conta do teor da mensagem e nem tentar aprisionar a sociedade brasileira em uma narrativa de mentira. A imprensa está cumprindo seu papel, de pilar democrático. Brasil, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
É correta a decisão do Ministério Público de instaurar um inquérito para investigar supostas irregularidades na ação de servidores da Prefeitura de Taubaté que conduziram o publicitário André Guisard à delegacia, no dia 8 de fevereiro. Trata-se do primeiro passo de um processo que poderá ajudar a responder perguntas feitas desde aquele dia por grande parte dos taubateanos. O publicitário, que é autor de um panfleto que reproduz informações sobre a 'Farra das Viagens' -- escândalo revelado pelo jornal em julho passado e que envolve 14 parlamentares -- diz ter sido abordado em casa, por quatro servidores municipais armados, em carros descaracterizados, e levado para o 2º DP, na Estiva, onde cinco vereadores o aguardavam - uma sexta chegou à delegacia depois. Constam como investigados pelo MP Jarbas Nogueira, gestor da área de Segurança e Vigilância, que abordou Guisard em casa e o conduziu à delegacia, e os seis vereadores que compareceram ao 2º DP naquele dia: Diego Fonseca (PSDB), Douglas Carbonne (PCdoB), Dentinho (PV), Jessé Silva (SD), Bobi (PV) e Gorete Toledo (DEM). As perguntas até agora sem explicação são muitas. Em primeiro lugar, os servidores da prefeitura têm autonomia para abordar moradores em casa, armados e em carros sem identificação, e levá-los a uma delegacia? A prefeitura diz que a equipe apurava uma denúncia de distribuição irregular de panfletos, mas aí surge outro questionamento: a administração, que diz não ter fiscais suficientes para averiguar inúmeros problemas mais importantes do município, destaca funcionários da cúpula da Segurança Pública para conferir todas as denúncias de panfletagem irregular na cidade? Ou será que isso ocorreu apenas porque o publicitário é 'inimigo' de vereadores aliados ao prefeito Ortiz Junior (PSDB)? Outra dúvida: se era apenas um mero caso de panfletagem irregular, como os vereadores já estavam na delegacia quando o publicitário chegou? Toda a ação teve ares de ter sido orquestrada para dar um susto em Guisard. É para isso que servem as autoridades de segurança e os vereadores? Estamos em um país livre e democrático ou em uma ditadura? Com a palavra, o Ministério Público..  
No dicionário, a palavra 'democracia' é bem direta, e quer dizer o governo em que o poder é exercido pelo povo, permitindo que os cidadãos se expressem livremente. Na prática, é a base para qualquer forma de atuação de um sistema governamental. Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito em outubro o 8º presidente do Brasil desde o fim da ditadura. Surfando uma enorme onda ultraconservadora e uma ainda maior onda antipetista, o capitão traz com ele um histórico dentro do Exército e, por incrível que pareça, a torcida de muita gente para que seja um pontapé inicial para voltar ao período em que o país foi governado pelos militares. Seja por opinião controversa ou puro desconhecimento dos fatos, há muita gente que pede a volta da ditadura ao Brasil. Pessoas que, talvez por pura dificuldade de somar dois e dois, achem que a democracia fez mal ao país e que a única solução para os problemas é voltar ao período do golpe militar de 1964 e de atrocidades como o AI-5, de 1968. Bolsonaro, embora tenha um dom incomum de se meter em polêmicas, passou a campanha toda tomando cuidado com o tema. Não queria contrariar os favoráveis a essa ideia, mas também não poderia afastar aqueles que sabem que a democracia é o melhor para o país. Acontece que, em determinados momentos, o presidente simplesmente não consegue não escorregar. Nesta quinta, no Rio de Janeiro, Bolsonaro encheu o peito para dizer que tem a missão de governar para aqueles que amam a democracia. E que democracia e liberdade só existe quando as Forças Armadas querem. É difícil de explicar. Bolsonaro não atendeu a imprensa após o evento para justificar a frase, mas seu vice, o general Hamilton Mourão, disse que o presidente foi mal interpretado -- como tem acontecido demais na visão do governo. Diante de tanta polêmica e tantos problemas para se preocupar, como a Reforma da Previdência ou a espantosa alta do dólar, o que o Brasil menos precisa é que velhos fantasmas voltem a nos assombrar. A democracia, que precisa ser respeitada antes de toda e qualquer outra questão, não merece, nem por um segundo, ser ameaçada por uma sombra. Ainda mais uma que já ficou por 21 anos no Brasil. E não deveria nem pensar em voltar..  
O bizarro episódio do vídeo pornográfico divulgado por Jair Bolsonaro (PSL) em suas redes sociais é mais um indício de que o capitão ainda não descobriu o óbvio: que mesmo antes do Carnaval, já deveria ter tirado a fantasia de candidato e vestido a de presidente da República. Sob qualquer aspecto que se olhe esse caso, é impossível ver algum acerto de Bolsonaro. Pelo contrário, foi um erro (mais um) sem explicação. Vale lembrar, de partida, que o pesselista passou parte da campanha eleitoral atacando a esquerda por, segundo ele, defender que as crianças fossem expostas precocemente a conteúdos sexuais. Para isso, até deturpou fatos, alegando que em determinada exposição as crianças eram convidadas a tocarem nos órgãos genitais de artistas desnudos. Na realidade, os artistas estavam sem roupa, mas sem simular qualquer ato sexual, e as crianças que lá se encontravam estavam acompanhadas dos pais, que haviam sido previamente avisados do conteúdo da mostra. Discutir se isso é de bom gosto ou não faz parte, mas dizer que as crianças tocavam os órgãos genitais dos artistas é mentir deliberadamente para tentar fazer prevalecer determinado ponto de vista. E o que Bolsonaro fez agora? Algo ainda pior do que aquilo que antes criticava. Em seu Twitter, que é uma rede social facilmente acessada por crianças, publicou um vídeo em que um homem introduz o dedo no próprio ânus e depois outro chega para urinar em sua cabeça. O que o presidente acha das crianças que viram, a partir da postagem dele, essa cena? O capitão atravessou o samba, sem dúvidas. Isso sem falar que, como autoridade máxima do país, Bolsonaro ajudou a divulgar uma péssima imagem do Brasil mundo afora. Resumir o Carnaval, que é uma das mais tradicionais representações populares brasileiras, a esse vídeo também é uma atitude desonesta do presidente. O Carnaval é muito mais do que isso e deve ser preservado. Enfim, a Quarta-Feira de Cinzas chegou com a sensação de que, embora se espere harmonia e evolução por parte do presidente, Bolsonaro insiste em ser um samba de uma nota só. Um samba-enredo que pode ter funcionado na eleição, mas que agora já não empolga ninguém..  
Esperando autoridade e um status ainda maior ao assumir o cargo de ministro da Justiça, o ex-juiz federal Sergio Moro colecionou problemas nesses dois primeiros meses de governo Jair Bolsonaro (PSL). Exaltado por boa parte do país e tido por muitos como um 'fio de esperança', Moro vem sendo obrigado a lidar com política e, dessa forma, parece começar a entender que a vida em Brasília não é tão fácil para quem está dentro do sistema. Dessa vez, o ministro precisou voltar atrás na nomeação de Ilona Szabó ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Especialista em segurança pública, Szabó foi criticada por apoiadores do presidente por ter posições divergentes em relação a temas como posse de arma e política de drogas. Pressionado, Moro precisou recuar. Contra a própria vontade, teve que engolir a promessa de 'carta branca' que recebeu do presidente. E foi só uma das situações que caíram no colo do ministro. Ao longo dos últimos dois meses, Sergio Moro se envolveu em polêmicas, especialmente, durante suas falas. Primeiro desconversou sobre o escândalo do laranjal nas candidaturas do PSL e, depois, mostrou uma opinião totalmente diferente a de anos atrás sobre o caixa dois. Nesse caso, pior: também pressionado, teve que voltar atrás na ideia inicial e separou a proposta de criminalização do tema do pacote anticrime. Parece ser, infelizmente, uma tendência do governo Bolsonaro. Durante a campanha e durante a transição, não foi difícil ver os escudeiros do presidente se atacando ou desmentindo por aí. Depois que o mandato começou, ficou ainda pior: todo dia é dia de polêmica. Até Paulo Guedes, guru bolsonarista e ministro da Economia, já teve que recuar publicamente. O caso recente do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, sobre a filmagem de crianças durante o hino nacional, também parece piada. Sem falar de Bebiannos, Damares, Ricardos e afins... O mandato começou contestável e, por mais que sejam apenas 60 dias, Bolsonaro precisa tomar cuidado. O que o Brasil menos precisa hoje é de mais uma bagunça generalizada. Que o Carnaval fique só na avenida..
A trapalhada protagonizada essa semana pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que havia pedido para que as escolas mandassem vídeos de alunos cantando o Hino Nacional e repetindo o slogan da campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), não tem como ser justificada, por qualquer ótica que seja. Em primeiro lugar, a estranha medida foi apresentada às escolas sem nenhuma explicação. Afinal, para que o MEC (Ministério da Educação) queria os vídeos? A única possibilidade que se imagina é que eles seriam utilizados em algum material -- oficial ou daqueles que se propagam via redes sociais e WhatsApp -- com o propósito de enaltecer o novo governo. Além disso, o pedido esbarrava em questões legais. Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que garante o direito à preservação da imagem, filmar crianças sem autorização é ilegal. Outro ponto que poderia ser considerado ilegal era o atrelamento do slogan de campanha de Bolsonaro à medida. Especialistas apontam que isso configura improbidade administrativa, por ferir os princípios constitucionais da publicidade e da impessoalidade. Outro ponto: desde 1971, a legislação tornou obrigatório o canto do Hino Nacional em todos os estabelecimentos de ensino, públicos ou particulares. Em 2009, foi acrescentado um parágrafo que estabeleceu que isso deveria ocorrer uma vez por semana, nas unidades de ensino fundamental. Ou seja, a execução do Hino já é obrigatória. E se o ministro pretendia tomar alguma medida para tentar fazer com que a lei fosse seguida, tomou a pior delas. O patriotismo depende de um sentimento de amor à nação, de enxergar um futuro e uma admiração pelo país, algo que vem sendo bastante dificultado pelos políticos que governam o Brasil -- e isso inclui também a administração atual, cercada de suspeitas de envolvimento com milícias, uso de laranjas em campanhas, cobrança de pedágio de assessores, entre outras questões. Se nossos governantes querem que a população ame o país, dar um país melhor para ela deveria ser a aposta principal. Isso não será alcançado com ideias como essas, de um ministro que se mostra completamente despreparado para o cargo que ocupa..