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February 11, 2017 - 06:00

EDITORIAL: Xadrez de Temer - 11/02

É um jogo de xadrez.
Sobre o tabuleiro, as peças movimentam-se estrategicamente. Cada jogada é estudada, pensada e executada, com cautela. Por cima de casas claras e escuras, exércitos brancos e pretos travam um silencioso duelo. Peões, cavalos, bispos e torres lideram a ofensiva aos inimigos, tendo ainda a missão deproteger o rei e a rainha.

Pelos ladosdo Palácio do Planalto,a verdade é que o rei está nu. E, por isso, movimenta suas peças. ‘Ele começou a jogar de vez o seu xadrez’, dizem os aliados próximos à realeza, referindo-se aMichel Temer. Citado na Lava Jato, assim como seu círculo mais íntimo nos altos escalões da República, o presidente busca antecipar e interceptar as jogadas de seus adversários, que sentam-se no lado oposto do tabuleiro.

Eles respondem pelo nome de força-tarefa da Operação Lava Jato, responsáveis pela investigação de um dos mais graves esquemas de corrupção de nossa história. Cada movimento feito pelos procuradores é respondido, logo em seguida, por uma manobra de Temer. Os casos se sucedem.

Em janeiro, após a morte trágica do ministro Teori Zavascki, Temer já havia escolhido Alexandre de Moraes, ministro da Justiça, para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). A questão foi mantida em sigilo e com direito a balões de ensaio para despistar a opinião pública. A indicação agrada o PSDB, a quem Moraes era filiado, e PMDB, partidos que -- assim como o PT e dezenas, sim, dezenas, de outros -- têm nomes importantes citados em delações premiadas.

Aliado de Temer, Moraes deve ser revisor do processo da Lava Jato no STF. Após a homologação das delações da Odebrecht, ainda em janeiro, o presidente se apressou em garantir o foro privilegiado a Moreira Franco -- aliado de décadas, citado na Lava Jato (assim como uma série de outros integrantes do primeiro escalão do governo) alçado àcondição de ministro.

Ao mover as peças, fica nítido que a jogada de Temer é colocar a Lava Jato em xeque.

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