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February 4, 2017 - 06:00

EDITORIAL: Velhas práticas - 04/02

O clamor por ética esbarra em ações arraigadas na política

Novo governo, velhas práticas. O clamor popular por ética e transparência no poder público parece não ser ouvido nas altas esferas de Brasília. Basta acompanhar o cotidiano da política. As relações entre governo e o parlamento são mediadas pelo jogo de barganha e de troca de interesses. A eleição para o comando da Câmara e do Senado é a prova disso.

No mais recente episódio da política brasileira, o presidente Michel Temer (PMDB) alçou um de seus homens-fortes ao posto de ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Wellington Moreira Franco, ao chegar ao primeiro escalão do Planalto, terá influência ampliada. Mas não só isso: citado inúmeras vezes nas delações da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato, ganha foro privilegiado. Passa a ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Com essa estratégia, Temer sinaliza a intenção de preservar os principais nomes de sua gestão, que começou na interinidade no primeiro semestre do ano passado. É a saída que encontrou em meio ao furacão que se anuncia com a chamada ‘delação do fim mundo’.

“O Moreira sempre foi chamado de ministro embora fosse apenas tipo um secretário-executivo. Eu via nas viagens internacionais que fizemos, ele até chefiava delegações de ministros que nos acompanharam e foram por conta própria a vários países para incentivar os investimentos que pudessem vir para o país”, disse o presidente na sexta, tentando justificar o injustificável.

A diferença, entretanto, está no foro privilegiado que Moreira Franco passa a ter com a nomeação em um cargo de ministro. No ano passado, em meio às turbulências do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a petista nomeou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Uma tentativa clara de garantir foro privilegiado a Lula.

Qual a diferença entre as duas nomeações? Nenhuma. As velhas práticas continuam.

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