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July 11, 2010 - 12:22

Professor é destaque em concurso da ABL

Eryck Magalhães, de Guaratinguetá, ficou entre os três melhores em um concurso promovida pela ABL



" Não sabia ao certo onde tecer sua teia. Escolheu um cantinho de parede da cozinha. Acertou na mosca".

O microconto acima, escrito pelo professor de línguas Eryck Gustavo Silva de Magalhães, 26 anos, de Guaratinguetá, recebeu, no último dia 5 de julho, o prêmio de terceiro lugar do "Concurso Cultural de Microcontos" do Abletras, o twitter da ABL (Academia Brasileira de Letras).

A iniciativa, lançada no dia 15 de março deste ano, reuniu 2.293 microcontos de diversos temas como o amor, a solidão e o meio ambiente.

"Foi um desafio contar algo em pouquíssimas palavras. Primeiro, pensei na expressão 'acertar na mosca', que diz respeito a algo que dá certo. Depois, fui buscando as palavras que eu considerei corretas para o conto", disse o professor Eryck Magalhães, que recentemente lançou o livro de poesias "Ecos e outros versos".

O primeiro lugar ficou com o microconto sobre vingança da carioca Bibiana Silveira Da Pieve. "Toda terça ia ao dentista e voltava ensolarada. Contaram ao marido sem a menor anestesia. Foi achada numa quarta, sumariamente anoitecida", escreveu a vencedora.
Carla Ceres Oliveira Capeleti, de Piracicaba, conquistou o segundo lugar.

Estilo.
A professora de língua portuguesa há mais de 20 anos e revisora Teruka Minamissawa, uma das juradas do concurso de microcontos realizado pela FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) de São José dos Campos, em 2006, disse ser necessário o conhecimento gramatical e o respeito a certos detalhes para que um microconto ou miniconto abrace plenamente a literatura.

"Elementos como personagem, tempo, lugar, espaço, ação, e que sigam a ideia de começo, meio e fim, devem estar alinhados à qualidade de síntese do autor", explicou a professora.

Na literatura nacional, Carlos Drummond de Andrade demonstra traços emotivos e urbanos em diversos microcontos e minicontos, como nos da obra "De notícias & não notícias faz-se a crônica", publicada em 1975.

O escritor e jornalista Millôr Fernandes prefere, por sua vez, utilizar o humor ao brincar com a micronarrativa. A microliteratura, contudo, costuma seguir algumas denominações, tais como: nanocontos (até 50 letras) microcontos (até 150 toques) e minicontos (geralmente com 300 palavras ou 600 caracteres).

Internet.
O autor de "Dilemas de Aranha", Eryck Magalhães acredita que a micronarrativa vem se consolidando devido, entre outras, a ferramentas digitais como o twitter e os blogs. "É uma oportunidade de mostrar o trabalho, e também de aprender com outras pessoas", disse.

A opinião de Eryck vai de encontro com a da professora Teruka. "A web vem possibilitando uma rica e importante troca de experiências e uma democratização da literatura e da cultura", completou a professora de língua portuguesa.
 

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