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June 27, 2010 - 04:41

Mulher à frente do tempo

 Imagem de Pagu que serviu para a capa da sua fotobiografia, lançada pela Imprensa Oficial

divulgação

'Viva Pagu - Fotobiografia de Patrícia Galvão' chega às livrarias no dia 1º de julho, com textos inéditos



Uma mulher inquieta, revolucionária, mas também humana, com fraquezas, medos, erros e acertos. Assim era a jornalista e escritora Patrícia Galvão -- a Pagu -- que ganha uma biografia bem especial nos próximos dias.
"Viva Pagu - Fotobiografia de Patrícia Galvão", de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz, coedição da Imprensa Oficial do Estado e da Editora Unisanta, retraça a rica trajetória da musa dos modernistas a partir de amplo material iconográfico e muitos documentos inéditos.

Organização.

Lucia Maria reuniu documentos de e sobre Pagu durante mais de 20 anos. Na fase final do processo, nos últimos cinco anos, contou com a ajuda do jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho da emblemática personagem.
"Fizemos juntos a reconstituição da vida da Patrícia", disse a escritora Lucia Maria que já escreveu outras duas obras sobre a Pagu.
O livro traz muitas fotos, desenhos, cartas e textos. Todas as cartas são inéditas.

Lado humano.
Seg undo Lucia Maria, Patrícia era questionadora e sempre lutou por ideais.
"Não trazemos uma figura mitificada, apresentamos uma mulher que foi de vanguarda, mas que acima de tudo era humana, com uma trajetória com acertos e erros. É uma obra que mostra Pagu no âmbito humano, político e artístico", explica.
Para levar o leitor a conhecer a fascinante e controvertida vida de Pagu, o título é apresentado em três blocos.

O primeiro fala das origens da família e vai até os 18 anos da biografada, quando conheceu o poeta modernista Raul Bopp, que a apresentou a Oswald de Andrade.
O segundo bloco começa com o início de sua relação com Oswald, com quem teve um filho, Rudá, em 1930, e vai até sua libertação, em 1940, muito debilitada depois de passar quatro anos e meio em vários presídios políticos, onde sofreu torturas.

Trajetória.
Primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, em 1931, Pagu, foi detida dezenas de vezes por sua militância comunista.
Durante a estadia em Moscou, desencantou-se com o comunismo, mas pouco depois de retornar ao Brasil, em 1935, foi presa em consequência do fracassado movimento comunista de 1935.
Parte considerável da iconografia deste bloco é formada por reproduções de cartas (principalmente as enviadas para Oswald de Andrade e seu filho Rudá).
Os últimos 22 anos de sua vida são apresentados no terceiro bloco, período no qual a militância política aos poucos deu espaço à militância cultural. Pagu casou-se com Geraldo Ferraz e ambos trabalharam em vários jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.
Ela manteve intensa atividade como cronista e crítica literária, além de se envolver cada vez mais com teatro.
"Patrícia era uma mulher que se esforçava muito para ser ela mesma. Tinha uma personalidade inquieta e contraditória. Ao resgatar suas cartas, também conhecemos seu lado sensível", completa Lucia.

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