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REGIÃO
May 30, 2010 - 10:47

Gays da região querem criminalizar a homofobia

 A parada gay do ano passado, na avenida Paulista; Jacareí terá desfile programado para junho

divulgação

Grupos ampliam mobilização pela aprovação de lei que pune o preconceito contra os homossexuais

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Um projeto de lei que criminaliza a homofobia (preconceito contra homossexuais), que está parado no Senado aguardando audiência pública, tem gerado manifestações de gays assumidos da região que buscam direitos iguais.
O projeto visa punir qualquer tipo de preconceito a homossexuais, que sofrem ainda no século 21 com repressões, intolerância e falta de liberdade (veja o que diz a lei no quadro ao lado).
"A homofobia mata. O preconceito ainda é muito grande, muito forte. E se é uma coisa que mata, faz mal e a sociedade não tem mecanismo de coibir, tem que ter lei. É que nem racismo", afirmou André Luiz Moresi, presidente da ONG (Organização Não-Governamental) Revida, de Jacareí, entidade que é associada à ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
Ele informou que foi definido o tema "Homofobia é crime" para 1ª Parada Gay da região, que será realizada no dia 27 de junho em Jacareí.
Também foi realizada, no dia 19 de maio, uma passeata em Brasília para pressionar o Governo para aprovar o projeto de lei 122/06, que criminaliza a homofobia. E a ONG de Jacareí também esteve presente. "Nós queremos ser tratados como igual, com os mesmos direitos. Afinal, pagamos impostos como qualquer cidadão", disse Moresi. Mas isso não é o que acontece no Brasil.
Preconceito.
O empresário Diego Casmurro, de 22 anos, morador de São José dos Campos, contou que, aos 17 anos, sofreu o maior caso de homofobia. "O meu diário foi publicado na escola como o diário de um gay. Colaram cartazes no banheiro com fotos e textos meus", afirmou. Ele disse ainda que não houv e nenhuma punição às pessoas que fizeram a "brincadeira", nem por parte da escola. "Não tive o apoio de ninguém e ninguém soube o que fazer na época".
Segundo ele, no dia-a-dia, gays ainda vivem muito preconceito e a aprovação da lei poderia fazer com que as pessoas se conscientizassem. "Mas antes de aprovar precisa ensinar às pessoas o que é homofobia, porque é muito fácil sair processando todo mundo que te der um olhar torto. A homofobia engloba um campo maior que agressão verbal".
Casos recentes.
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a adoção de duas crianças por um casal de mulheres homossexuais no Rio Grande do Sul. De acordo com Moresi, esse tipo de decisão é pontual. "Um casal hétero tem 78 direitos que um casal homo não tem, entre eles está a adoção de crianças".
Na contramão, países da África estão querendo o contrário do projeto 122/06 do Brasil: eles tentam criminalizar o homossexualismo, inclusive com a condenação à pena de morte. O presidente da ONG Revida disse que a ABGLT está fazendo pressão junto ao governo federal para que a Presidência da República use seus mecanismos internacionais para interferir no caso.
Igreja.
A igreja católica tem se colocado contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia. Procurado pelo O VALE
, o padre da Diocese de São José dos Campos que poderia falar sobre o assunto não estava disponível.
Parada.
Será realizada no dia 27 de junho a 1ª Parada Gay da região, que passará pelas principais ruas da região central de Jacareí. O tema será "Jacareí contra a homofobia" e o lema "Cidade moderna é cidade sem preconceito".
A ONG organizadora espera a participação de pelo menos 10 mil pessoas no evento. "Esperamos toda a região participe. É um dia festivo", afirmou o presidente da ONG.
 

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