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March 20, 2017 - 20:12

Associações defendem carne brasileira e criticam "desinformação" após operação

 Corrupção. Policiais federais deixam o prédio do Ministério da Agricultura em Brasília, após deflagrarem operação contra frigoríficos que vendiam carne estragada

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Agência Brasil
Brasília

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, disse hoje (20) na capital paulista que o setor cobrou apoio do governo federal após os efeitos negativos da Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira (17) pela Polícia Federal. A operação investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, elogiou a Operação Carne Fraca, mas criticou a forma como foi feita a divulgação das investigações.

“Em um segundo aspecto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento se movimentou, e nós estávamos juntos, para responder pontualmente àqueles países que fizeram questionamentos diretos e também preparar uma nota técnica para os países que não questionaram para que se sintam tranquilos dentro do processo”, disse Camardelli. A Abiec também já se antecipou fazendo a tradução de sua nota técnica em todas as línguas e mantém o contato diário com os importadores e embaixadas.

Segundo Camardelli, ainda não é possível mensurar o prejuízo em relação ao mercado externo, mas já se sabe que há a suspensão das atividades de seis plantas (unidades) e que a China aguarda explicações brasileiras sobre os produtos que estão a caminho do país, o que deve deixar a carne presa nos contêineres por alguns dias.

“Nossa resposta é que já exportamos 1,5 milhão de toneladas, e o Brasil nunca foi veículo de coisa nenhuma, e isso [o escândalo] dentro da proporção não significa nada. Estamos ratificando frente aos nossos compradores que esse foi um episódio que teve amplitude de uma maneira sutil e que foi um processo de corrupção burocrática sem risco sanitário”, afirmou Camardelli.

Ele ressaltou que a população não deve entrar em pânico e que, em termos de saúde pública e segurança alimentar, pode ficar tranquila para consumir os produtos. “Não existe diferença na produção para o mercado externo e interno. Todos os cuidados e análises são feitos. O consumo está ratificado e não existe risco para a população de nenhuma ordem. A área bovina está tranquila, e não teve nenhum associado da Abiec envolvido nos processos de fraude. As citações que houve de alguns grupos foram dentro do processo, dentro da avaliação e investigação.”

O diretor técnico ABPA, Rui Vargas, disse que houve um grande equívoco técnico quando se fez uma massificação da informação tentando repassar uma imagem negativa da carne brasileira para os consumidores e importadores. “Todas as coisas que foram ditas são equivocadas tecnicamente. As ações que nos foram comunicadas serão tomadas para aprimorar o processo e dar garantias fortes e seguras aos consumidores. O ministério nos comunicou que fará uma operação de auditoria em todas as empresas citadas.”

Vargas disse ainda que a operação da Polícia Federal deveria ter envolvido apenas a postura e o comportamento dos funcionários do ministério e das empresas citadas, e não a qualidade dos produtos. “Não havia motivo para falar da qualidade da carne ofertada. Ficou muito claro que as coisas estão dissociadas e que o governo está tomando medidas fortes tentando levar essa imagem ao conhecimento de todos os países e consumidores."

Francisco Turra elogiou a Operação Carne Fraca, mas criticou a forma de divulgação das informações. Para o presidente da ABPA, a notícia no dia da operação provocou desinformação generalizada, propiciando o surgimento de notícias sobre carne podre, contaminada e envenenada. “A operação é perfeita porque temos que perseguir a perfeição, mas a comunicação ensejou uma imagem de que tudo aqui é ruim.”

Turra ressaltou que agora a entidade tem como foco um trabalho de reconstrução da verdade, de separar “o joio do trigo”, para que tudo fique claro para o consumidor interno e externo. “O Brasil é exportador. Então, nosso trabalho é deixar claro quem cometeu [erros] e onde. Se houve servidor público envolvido, o ministério tem que puni-lo, e as empresas também vão banir quem cometeu qualquer equívoco. Nossa luta é para dizer a verdade. Está muito claro que 99,9% dos produtores são corretos e inspecionados. A bioseguridade do Brasil é impecável”, afirmou.

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