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Embraer prevê ano de recuperação após prejuízo de R$ 669 mi em 2018

Incidente com o KC-390 e ainda revisão de vendas do jato executivo Lineage 1000 impactaram negativamente o resultado da companhia; em 2019, a Embraer prevê recuperação e se prepara para separar a aviação comercial

Xandu Alves @xandualves10 | @xandualves10

A Embraer registrou prejuízo de R$ 78,1 milhões no quarto trimestre de 2018, considerado um dos melhores períodos do ano para a empresa.

É a primeira vez que isso ocorre desde 2011. O resultado reverteu lucro de R$ 132 milhões apurado no mesmo período de 2017.

No ano marcado pelo acordo com a Boeing, que comprará o controle da aviação comercial da fabricante brasileira, a Embraer registrou prejuízo em todos os quatro trimestres do ano e reverteu lucro do ano anterior.

Nos três primeiros meses de 2018, foram R$ 40,1 milhões de retração contra R$ 168,5 milhões de ganhos em 2017.No segundo, perdas de R$ 467 milhões ante lucro de R$ 200,9 milhões. No terceiro, queda foi de R$ 83,8 milhões contra lucro de R$ 331,9 milhões.

Com isso, a companhia fechou 2018 com prejuízo líquido de R$ 669 milhões, o primeiro em mais de 10 anos. O resultado foi bem diferente em 2017, quando a Embraer registrou lucro de R$ 850,7 milhões.

Além de piora no mercado, Nelson Salgado, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Embraer, disse que dois fatores contribuíram para o resultado abaixo do esperado.

O prejuízo de US$ 127 milhões causado pelo incidente com o protótipo do KC-390, que saiu da pista e provocou replanejamento da campanha de testes, e a perda de US$ 61,3 milhões associada ao jato executivo Lineage 1000, que passou por revisão nas expectativas de venda.

Já a receita líquida atingiu R$ 6,37 bilhões durante o quarto trimestre e R$ 18,7 bilhões no ano, "ficando em linha com a estimativa revisada da companhia divulgada em 16 de janeiro de 2019", como informou a Embraer.

AERONAVES.

Nos últimos três meses de 2018, a Embraer entregou 33 aeronaves comerciais e 36 executivas, sendo 24 jatos leves e 12 grandes.

Com isso, acumulou 181 aviões entregues no ano passado, queda de 13,81% ante as 210 aeronaves entregues em 2017 --101 para aviação comercial e 109, na executiva.

Depois de recuar no segundo e terceiro trimestres de 2018, a carteira de pedidos firmes aumentou para US$ 16,3 bilhões nos três últimos meses do ano.

"O resultado [negativo] não é nada que seja muito preocupante, porque está associado ao volume de receitas. Os resultados vão voltar em 2019 com o crescimento de entregas dos jatos E2 e do KC-390, e na aviação executiva com as vendas dos [novos] jatos Praetor. Isso tudo nos coloca em rota de recuperação", afirmou Salgado..