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Depois de massacre, Estado anuncia revisão da segurança em escolas

Governo de São Paulo anunciou que irá reforçar e rever procedimentos de segurança em todas as 5,3 mil escolas estaduais (326 delas no Vale), com prioridade para as unidades mais vulneráveis, que já tenham sido roubadas

Xandu [email protected] | @xandualves10

A Secretaria de Estado da Educação vai revisar o procedimento de segurança de todas as 5,3 mil escolas estaduais de São Paulo --326 delas no Vale do Paraíba com cerca de 170 mil alunos.

O anúncio foi feito um dia após a chacina na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na qual dois ex-alunos, de 17 e 25 anos, invadiram armados e mataram cinco alunos e duas funcionárias. Os atiradores se suicidaram.

O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, disse que a estrutura das escolas e a segurança serão reforçadas e os procedimentos de segurança, revisados. Haverá um estudo para reforçar escolas mais vulneráveis.

"Temos situações distintas. A segurança no dia a dia é um tipo de atendimento necessário e estamos trabalhando com a Polícia Militar, desde janeiro, para criar condições de melhorias para escolas que foram roubadas ou com professores ameaçados".

"Outra é reforçar as estruturas e revisar os procedimentos. Vamos olhar todos os nossos procedimentos".

No entanto, Soares disse que obras e segurança não serão suficientes. Ele quer atuar na prevenção.

"Não basta pensar só no físico, mas encontrar a forma de fazer diagnóstico e acompanhar esses meninos e meninas que precisam. Não podemos perder esse jovem e temos que aprender com essa tragédia", afirmou o secretário.

LIÇÕES.

O general João Camilo Pires de Campos, secretário da Segurança Pública, disse que vai usar "as lições aprendidas para melhorar processos".

"A ideia é intensificar procedimentos e processos para a segurança das pessoas. Proteger patrimônios, sonhos e esperança. A PM e a Secretaria de Educação, além da de Justiça e Desenvolvimento Social, trabalharão juntas para corrigir e não termos mais tragédias como essa".

Apeoesp cobra "segurança e política contra a violência" nas escolas do Vale

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) cobrou reforço na segurança das escolas estaduais da RMVale e a adoção de uma política de prevenção à violência.

Diretor estadual do órgão no Vale, o professor Gilmar Ribeiro disse que o governo não tem a mesma preocupação com a segurança das escolas como tem com unidades de saúde.

"A segurança nas escolas está sob a responsabilidade dos trabalhadores que estão lá. Todos estão expostos e a qualquer momento pode ocorrer o que aconteceu em Suzano. As escolas não têm mecanismo de segurança", afirmou.

Segundo ele, há unidades com defasagem de até 40% no quadro de funcionários, o que prejudica a segurança. "Isso facilita a entrada de pessoas sem controle nenhum", disse.