Logo Jornal OVALE

O país está de luto

Tragédia em escola de Suzano, que deixou brasileiros horrorizados, deve ser usada para país refletir o futuro

A tragédia ocorrida nessa quarta-feira em Suzano, que deixou oito pessoas mortas, além dos dois atiradores, deixou também um país inteiro de luto. Durante o dia inteiro, os brasileiros acompanharam, horrorizados, as notícias que vinham da escola Raul Brasil e seus desdobramentos.

Esse mesmo país que está de luto também deve aproveitar o momento para fazer uma reflexão: o que temos feito para evitar que tragédias como essa, que estão cada vez mais comuns no Brasil, se repitam?

Que medidas foram adotadas desde 11 de dezembro de 2018, quando um homem abriu fogo na Catedral Metropolitana de Campinas, matando quatro pessoas, além dele mesmo? O que fizemos de diferente após um homem matar 11 pessoas de uma mesma família -- entre elas, sua ex-mulher e seu filho -- e depois se matar, também em Campinas, durante o último Réveillon?

De lá para cá, a única medida tomada a respeito parece, na verdade, piorar ainda mais essa triste realidade: o governo federal decidiu facilitar a posse de armas no Brasil, com intenção futura de ampliar também o porte.

Ou seja, desde então já está mais fácil ter uma arma em casa. Futuramente, a vontade de nossos governantes é que as regras permitam também que a população circule armada pelas ruas. Em que isso resolve nosso problemas de segurança (ou insegurança)?

Em um país que registra, segundo os dados oficiais, mais de 60 mil casos de homicídio por ano, sendo mais de 70% deles sendo cometidos com armas de fogo, o objetivo de nossos governantes não deveria ser adotar medidas rigorosas para tirar todas as armas (regularizadas ou não) de circulação e combater a entrada clandestina de armamentos no Brasil?

No mundo político, as reações à tragédia foram bizarras. O vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), por exemplo, disse que a preocupação dele é com "videogames violentos". O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que uma arma "faz tão mal quanto um carro". O senador Major Olímpio (PSL) disse que, se os professores estivessem armados, a tragédia seria evitada. Pelo visto, o Brasil vai virar um faroeste especializado em contagem de mortos..