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Temporada de 'Fuá Caipira' estreia neste sábado em São José

Paula Maria Prado @paulamariaprado | @paulamariaprado

"Quando o assunto é cultura popular, não se pode afirmar. Afinal, cada grupo tem a sua peculiaridade, seu jeito de tocar e dançar". Foi com o ensinamento do músico Celso Pan na mente, que o pesquisador Ari Pereira partiu rumo a um desafio: unir todo o conhecimento folclórico adquirido nos últimos anos em um espetáculo musical.

Fundador do Fuá Rabecado, grupo de pesquisa e reaproveitamento folclórico de São José, Pereira assina a direção geral de "Fuá Caipira", cuja temporada estreia no próximo sábado (9), às 20h, no Cine Santana (av. Rui Barbosa, 2005). No palco, uma verdadeira reverência aos mestres, aos grupos tradicionais e a identidade rural da região.

"Busquei grupos cujas manifestações se aproximavam do som que já produzíamos, que é bastante alegre", afirmou ele. A apresentação, financiada pelo FMC (Fundo Municipal de Cultura), gerida pela FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) busca ainda suprir uma lacuna em torno dos ritmos rurais do Vale do Paraíba, que possuem raros registros em audio e vídeo.

Entre os ritmos e as manifestações estão Folia de Reis, Calango, Cana Verde, Congada, Jongo, Moçambique e a tradicional Quadrilha Caipira.

Além de Pereira, completam a formação do grupo os músicos Diego Prado e Moringa D'Xoroquê na percussão; Tânia Reis, voz; Fred Vilela (bisneto do mestre calangueiro Ernesto Vilela), violão, viola e voz; e Márcio de Oliveira, violão e voz.

Diversão.

O espetáculo se inicia em um cortejo de Folia de Reis e segue em ritmo crescente. Nele, o público aprenderá um pouco mais sobre cada manifestação.

Um trio de atores/brincantes interagem com a plateia e a banda. Eles representam o noivo, a noiva e o pai da noiva, personagens típicos da quadrilha caipira regional. E, ao longo da apresentação, dançam e incentivam os presentes a fazerem as coreografias e os movimentos de cada ritmo.

"A palavra 'fuá' tem no Brasil vários significados, e os mais relevantes estão ligados a movimento, ação, festa, brincadeira. Isso traduz a essência do show: uma grande festa musical", afirmou o pesquisador.

Acessibilidade.

Tornar a ação acessível, permitindo que ela alcance o maior número de pessoas, é uma exigência do edital. Dessa forma, o grupo pediu ajuda de profissionais da área.

"Quisemos fazer isso de forma efetiva. Buscamos aqueles que trabalham com pessoas que têm algum tipo de deficiencia e fizemos oficinas em instituições. Nosso intuito foi entender de que forma podíamos criar uma acessibilidade real. Então passamos a oferecer audiodescrição transmitida por rádio e intérprete de libras, entre outras ações", disse Pereira.

Depois da apresentação de sábado, outras quatro estão previstas em datas ainda não confirmadas. Mas já se sabe que elas serão realizadas nas Casas de Cultura Flávio Craveiro; Rancho do Tropeiro, Zé Mira e Julio Nême, no subdistrito de São Francisco Xavier. A entrada é gratuita..