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Prometeu, vai cumprir?

O reforço da segurança pública no Vale do Paraíba é uma promessa de campanha. João Doria cumprirá o prometido?

Em rodinhas de políticos, nos bastidores das campanhas eleitorais, há uma anedota contada com frequência. É a história de um candidato que bateu as botas durante o disputa por votos. Quando chegou ao céu, foi recebido por São Pedro , o seu cicerone divino, responsável por mostrar-lhe aquele paraíso, acompanhado por uma legião de anjos tocando as suas harpas. Tudo muito calmo, bucólico. "Quer entrar?", perguntou o santo. Achando tudo aquilo um tédio, o político de forma reticente pediu autorização para dar uma olhada no andar debaixo e depois tomar uma decisão. E lá foi ele, literalmente, para o inferno. E, ainda no elevador, já ouviu o som de uma música caliente e agitada. Chegando ao seu detino, foi logo servido com o melhor uísque, deparou-se com mulheres estonteantes e muita diversão. E ficou maravilhado. Se divertiu.

Ao voltar para o andar de cima, para comunicar a decisão a São Pedro, o candidato agradeceu a oferta, mas disse ter optado por passa a eternidade lá embaixo.

E desceu. Mas... ao chegar lá, já na entrada, estranhou o ambiente, que em nada lembrava aquele lugar que ele havia conhecido.

Onde estava a música? E aquela diversão? Só havia sofrimento.

O político questionou então o diabo: 'O que é que aconteceu? Ontem estive aqui e era tudo tão bom, mas agora, agora está um inferno. Vocês me prometeram um paraíso.' Então, recebeu a resposta: 'eu sei, meu caro, mas é que ontem era campanha'.

A piada tem como mote a constatação de que, na política, o que se fala durante a campanha nem sempre resiste à realidade. O verbo prometer é mais fácil de conjugar do que o cumprir.

Por falar em condição infernal...

A RMVale é a região mais violenta de São Paulo, de longe. Tem taxa de 13,82 homicídios por cada 100 mil habitantes, enquanto no estado a média é 7,06. Um absurdo completo.

Durante o período eleitoral, em uma sabatina realizada por OVALE, o candidato tucano João Doria afirmou de forma taxativa: Taubaté seria a primeira cidade no novo governo a receber o Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), unidade de elite da PM. "Teremos mais 17 Baeps no estado e o primeiro desses 17 será implantado em Taubaté", disse o tucano, que foi eleito.

Agora, no entanto, em entrevista à TV Vanguarda, o governador colocou em dúvida a necessidade de um Baep em Taubaté.

No entanto, mais tarde, à reportagem de OVALE, o governo reiterou que o Baep será criado.

É o que se espera.

Governador, a população da região mais violenta de São Paulo e que convive com um déficit de 700 PMs exige a instalação da nova unidade.

Promessa é dívida..