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São José tem 240 casais na fila da adoção e 60 crianças nos abrigos

Coração de mãe. Ana Alvarenga, de 64 anos, é mãe adotiva de 10 crianças e adolescentes em S. José
Idade elevada das crianças dificulta o processo de adoção, segundo a Promotoria da Infância e Juventude; conheça a história da moradora da zona norte da cidade que já adotou mais de 20 crianças e adolescentes

Julia [email protected] | @carvalho8123

Bruno [nome fictício] está no Abrigo dos Bebês, em São José dos Campos, aguardando por um lar há oito anos. O menino integra o grupo de 60 crianças que estão instaladas em abrigos da cidade. A fila para adoção tem cerca de 240 casais cadastrados no município, de acordo com a Promotoria da Infância e Juventude.

Mais da metade das crianças tem mais de 10 anos.

Segundo a promotoria, a idade avançada das crianças dificulta o processo de adoção, já que a maioria dos casais busca crianças com idade abaixo de 3 anos. "A nossa ferida é a colocação das crianças com mais idade, elas são os nossos refugiados, muitas vezes a família é usuária de crack e elas precisam fugir. São crianças maravilhosas e que ninguém quer adotar", afirmou o promotor da Infância e Juventude Fausto Junqueira.

Das 60 crianças, a promotoria afirma que apenas 6 estão aptas para adoção perante a Justiça. Os bebês levados para a adoção não são inseridos no cadastro, sendo encaminhados diretamente para o primeiro casal da fila, sempre em ordem cronológica.

"Em São José quem quiser adotar, adota hoje, mas crianças com deficiência, com 9 anos. Os bebês são raros, os interessados vão esperar cerca de 8 anos. Se existir abertura de coração, com certeza encontra uma criança no outro dia", explicou o promotor.

ADOÇÃO.

No coração de mãe sempre cabe mais um. Aos 64 anos, dona Ana Alvarenga é prova viva desta expressão popular, mostrando ainda que ser mãe é muito mais do que dar à luz. Ao longo da vida, ela já adotou mais de 20 crianças e hoje mantém 10 em sua casa, na zona norte de São José.

"A minha casa é para todos. Aqui eles têm liberdade pra fazer o que quiserem. Eu cozinho e cuido deles com gosto. Acho que isso é como uma missão que Deus me enviou", contou dona Ana a OVALE.

REFUGIADOS.

Ex-primeira-dana de São José, a empresária Rosana Dela Torre, esposa do deputado federal Eduardo Cury (PSDB), viu a sua vida mudar quando participou de uma missão voluntária realizada em Roraima. Lá, comoveu-se com os imigrantes venezuelanos refugiados no Brasil.

Em um campo, ela encontrou as gêmeas Eneibelys e Eneidelys Del Valle Mota, 10 anos.

Em setembro de 2018, Rosana decidiu não só adotar as irmãs, mas também trazer mais seis refugiados para a região.

Hoje, as famílias trabalham e vivem em Jacareí, mas contam com o apoio de Rosana.

"Todos nós somos filhos de imigrantes. A única forma que eu encontrei de ajudar essas pessoas foi trazendo-as comigo. Se todos fizessem um pouco, o mundo não estaria assim hoje", afirmou Rosana.

Questionadas sobre o paradeiro do pai, uma das irmãs venezuelanas respondeu: "Ele está com Deus agora". 

Em 26 anos, abrigo para crianças deficientes no Vale registra apenas dois casos de adoção

Das mais de 40 crianças deficientes que passaram pela Associação Lar Nossa Senhora da Salette durante 26 anos de trajetória, apenas duas foram adotadas.

A instituição é a única do Vale do Paraíba a oferecer abrigo para crianças com deficiência múltipla sensorial severa. Atualmente a unidade mantém sete crianças "O Lar é um pedacinho do céu, a energia que as crianças passam é o maior complemento para um ser humano", afirmou a presidente Sílvia Carvalho.