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Bolsonaro vai aprovar negociação entre Embraer e Boeing

Autonomia. Bolsonaro teme perder a Embraer no futuro
"Ficou claro que a soberania e os interesses da Nação estão preservados. A União não se opõe ao andamento do processo", disse o presidente

Caíque Toledo | [email protected]

O governo Jair Bolsonaro (PSL) divulgou nesta quinta-feira (10) que não vai vetar o negócio entre Embraer e Boeing.

O presidente participou de uma reunião com representantes dos ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Economias para tratar do assunto. Segundo nota publicada pela Secretaria de Comunicação da Presidência, Bolsonaro foi informado que foram avaliados 'minuciosamente os diversos cenários' e que a proposta final 'preserva a soberania e os interesses nacionais'.

"Ficou claro que a soberania e os interesses da Nação estão preservados. A União não se opõe ao andamento do processo", disse o presidente em sua conta na rede social Twitter. A Boeing terá participação de 80% na nova empresa e a Embraer os 20% restantes.

VETO?.

Na semana passada, o presidente havia afirmado em entrevista coletiva que a proposta, concretizada entre as empresas e que depende apenas do aval do governo, pode 'afetar interesses' do país. Após as declarações, as ações da Embraer chegaram a cair mais de 5%.

"Essa fusão seria muito boa, mas nós não podemos, como está na última proposta, que daqui a cinco anos tudo seja repassado para o outro lado. Nossa preocupação é essa, é um patrimônio nosso", afirmou Bolsonaro na ocasião.

O acordo prevê a criação de uma nova companhia, uma joint venture, na qual a Boeing teria 80% e a Embraer ficaria com 20%. O negócio envolve a aviação comercial da empresa com sede em São José dos Campos, avaliada em mais de US$ 4,75 bilhões.

PROPOSTA.

Minutos após o governo Bolsonaro afirmar que não vai se opor ao negócio, a empresa com sede em São José dos Campos afirmou que ambas chegaram a um acordo sobre termos para a criação de uma segunda joint venture.

Em nota afirmando que o governo aprovou a 'parceria estratégica', a Embraer disse também que um segundo acordo vai promover e desenvolver novos mercados para o avião KC-390. Nesta nova proposta, a Embraer terá 51% de participação e a Boeing nos 49% restantes.

"Como próximo passo do processo, o Conselho de Administração da Embraer deverá ratificar a aprovação prévia dos termos do acordo e autorizar a assinatura dos documentos da operação. Em seguida, a parceria será submetida à aprovação dos acionistas, das autoridades regulatórias, bem como a outras condições pertinentes à conclusão de uma transação deste tipo. Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a negociação seja concluída até o final de 2019", diz nota da empresa.

Confira nota da presidência:

Em reunião realizada hoje com o Exmo. Sr. Presidente Jair Bolsonaro, com os Ministros da Defesa, do GSI, das Relações Exteriores, da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações; e representantes do Ministério da Economia e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foram apresentados os termos das tratativas entre EMBRAER (privatizada desde 1994) e BOEING.

O Presidente foi informado de que foram avaliados minuciosamente os diversos cenários, e que a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais.

Diante disso, não será exercido o poder de veto (Golden Share) ao negócio.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República