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Brasil
Dezembro 03, 2018 - 20:00

Moro afirma que Bolsonaro não é um risco para a democracia

Sergio Moro

Discurso. O futuro ministro da Justiça em 2019, Sergio Moro

Foto: /José Cruz/Agência Brasil

Durante evento na capital espanhola nesta segunda-feira, futuro ministro detalhou a atuação da Justiça nos casos de corrupção dos últimos anos, especialmente a Operação Lava Jato, que revelou as irregularidades na Petrobras

Das agê[email protected]

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou nesta segunda-feira, que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, não representa um risco para a democracia e o Estado de Direito no Brasil. Ele participou de um fórum da FIL (Fundação Internacional para a Liberdade), em Madri, capital da Espanha, e disse que não vê "um risco de autoritarismo ou contra a democracia" em Bolsonaro, que vai assumir o cargo no dia 1º de janeiro de 2019.

Em seu discurso no fórum, presidido pelo renomado escritor Mario Vargas Llosa, Moro afirmou ainda que também não vê a possibilidade de o novo governo aprovar medidas que "discriminem as minorias".

O futuro ministro da Justiça disse que o resultado da eleição presidencial é o profundo impacto da indignação causada pela "corrupção sistemática" descoberta nos últimos anos.

O futuro ministro detalhou a atuação da Justiça nos casos de corrupção dos últimos anos, especialmente a Operação Lava Jato, que revelou as irregularidades na Petrobras, e ressaltou que "ninguém foi condenado por suas ideias políticas".

Sergio Moro foi o responsável pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena desde abril em uma cela da Polícia Federal, em Curitiba, após ser condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso que envolveu um tríplex no Guarujá.

ACORDO.

Moro disse que aceitou a proposta de Bolsonaro para ser ministro da Justiça porque é preciso dar uma "resposta institucional" fora dos tribunais para problemas como a corrupção, o crime organizado e a violência, através de "um endurecimento" das leis.

Considerou que esses males "afetam a qualidade da democracia em si própria" e lembrou que no Brasil são cometidos 60 mil assassinatos por ano, dos quais apenas 10% são solucionados, algo que constitui "uma calamidade", segundo ele.

Moro afirmou que não planeja ser candidato à Presidência da República.

"Não tenho mais ambições além da minha agenda política" nessas reformas jurídicas", ressaltou.

ELOGIO.

Ao apresentar Moro, Vargas Llosa afirmou que o ex-juiz é "exemplo da revolução silenciosa" dos brasileiros opostos à corrupção institucionalizada no país.

O escritor e ensaísta lembrou que se fala que a eleição de Bolsonaro representa a chegada da extrema-direita e do fascismo ao poder, e reconheceu que ele tende a "desconfiar" desses rótulos..

 

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