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Novembro 30, 2018 - 20:03

Obra de Guataçara Monteiro estrela capa da edição e faz parte do 'Mãos à Obra'

quadro coqueiro

Açaizeiro. Mãe do mato

Foto: /Guataçara Monteiro/Reprodução

Paula Maria [email protected]

Conta a lenda que há muito tempo, chefes de grandes tribos indígenas próximas a ilha de Marajó, começaram a fazer coisas que estavam contra a lei de Tupã. Muito bravo, o deus dos indígenas determinou que, como castigo, a partir daquele momento haveria um futuro de tristezas para que os homens aprendessem a amar mais.

Assim, passou a faltar comida na tribo. Chefes então se uniram e criaram uma triste lei: a partir daquele dia, toda criança que nascesse seria sacrificada.

Grávida, Iaçá se desesperou. Não queria perder seu filho. Mas, seu pai, fazendo valer sua posição de cacique, sacrificou a criança.

A índia chorou muitas luas e rezou: pediu a Tupã que acabasse com a matança de crianças e retirasse a praga jogada sobre a terra. O deus então disse: Iacá gozava de livre arbítrio. Mas, caso morresse, seu corpo daria luz a nova vida, e esta salvaria as crianças. A índia não pensou duas vezes: foi encontrada morta no dia seguinte abraçada a uma palmeira, nomeada açaizeiro.

A missão de cada um dos chefes da aldeia: pegar os frutos, tirar o sumo para alimentar as crianças e jogar a semente de volta a terra, para que a planta fosse disseminada por toda o planeta.

A obra, que ilustra a capa desta edição de OVALE, produzida pelo artista plástico Guataçara Monteiro, natural do Pará, com residência em Igaratá (SP), é inspirada nessa lenda. "A região Amazônica tem muitos locais de pobreza, mas as pessoas se juntam e do açaí fazem farinha. Ou seja, até hoje, o espírito de Iaçá segue alimentando as crianças", contou o artista, que estuda há anos essa lenda.

Beneficente.

A obra faz parte do projeto "Mãos à Obra", capitaneado pelo OVALE em parceria com a galeria Victor Hugo, de São José. O trabalho está em exposição no espaço de arte e, no dia 20 de dezembro, segue para um leilão cuja renda será integralmente revertida ao Gacc (Grupo de Assistência à Criança com Câncer), também de São José dos Campos.

"Fiquei muito contente quando fui convidado a fazer parte do projeto. E, para ele, escolhi essa obra especial, produzida com tinta acrílica sobre uma tela especial, e ainda inédita", disse ele. "Para mim, o hospital do Gacc faz exatamente o mesmo que essa palmeira, o açaizeiro: ele representa uma mãe, que salva as crianças da morte, salva o homem da desesperança e batalha a cada dia para que crianças sejam bem cuidadas e curadas e todos fiquem felizes", afirmou Monteiro.

Artista.

As obras do artista são produzidas sobre três pilares: natureza, cultura popular e as suas diferentes manifestações. Ligado ao povo amazonense, Monteiro traz em sua arte, a missão de revelar ao mundo a sua raiz, o jeito de viver do povo da floresta, a sua culinária e a fé, patrimônios imateriais da humanidade.

"Meu trabalho tem a função de divulgar a região Norte. Porque a gente só cuida daquilo que a gente conhece e respeita", afirmou ele, que realiza palestras e oficinas para crianças de todo o país.

União.

O projeto "Mãos à obra" foi inspirado no "Arte n'OVALE", publicado desde o início do ano no jornal. Ele conta com a colaboração de 70 artistas que doaram obras ao Gacc, grupo que mantém um hospital para atender mais de 500 crianças e adolescentes em tratamento de câncer.

Duas das obras que estarão presentes no espaço, o leitor de OVALE pôde ver com detalhes nas capas de edições passadas de final de semana: a tela do projeto "Guerreiros do fogo", de Joarez Filho, artista de São José; e "Menino", de Sami Akl, ex-morador de São José e que atualmente vive na capital paulista.

Esta é a terceira capa do projeto. E, além desta, outras sete receberão obras estampadas. As contracapas das edições de final de semana contam também com uma galeria com trabalhos de outros artístas.

A galeria Victor Hugo fica na av. São João, 2200, e funciona no mesmo horário do shopping Colinas. Entrada gratuita..

 

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