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Especial
Outubro 25, 2018 - 22:42

Nas asas de um sonho: os 50 anos do avião Bandeirante da Embraer

Fotos históricos do Bandeirante

Fotos históricos do Bandeirante

Foto: Divulgação Embraer


Um francês incrédulo, engenheiros apaixonados e noites a dentro enfurnados em salas repletas de pranchetas e sonhos.

Eis a receita para a criação do primeiro avião desenvolvido e fabricado no Brasil, que levou ao surgimento da mais incrível empresa nacional, a Embraer, em São José dos Campos.

O DNA da Embraer surgiu do sonho de um grupo de visionários que convenceu o Ministério da Aeronáutica a bancar a construção de um avião "diferente, que ninguém quisesse fazer", como lembra o coronel e engenheiro aeronáutico Ozires Silva, 87 anos, um dos líderes deste grupo de "malucos", como ele mesmo define.

Mas eis que nossos malucos eram geniais e fizeram história: há 50 anos, criaram e voaram no Bandeirante. Do sucesso do avião, que fez seu primeiro voo em 22 de outubro de 1968, surgiu a ideia de criar uma empresa para produzi-lo em escala industrial: a Embraer.

"Há cinco décadas, o surgimento do Bandeirante foi determinante para o sucesso da Embraer e para a consolidação da indústria aeronáutica no Brasil", diz Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer. "A aeronave tornou-se uma referência no mercado mundial do transporte aéreo regional e lançou as bases para o crescimento internacional da empresa".

E completa: "O Bandeirante e a Embraer são frutos de um projeto estratégico do Estado Brasileiro, de muito sucesso, que se iniciou em 1946 com a criação do CTA".

COM BANDEIRANTE NO DNA, EMBRAER TRANSFORMA-SE NA TERCEIRA MAIOR DO MUNDO 

A decolagem do Bandeirante levou junto a Embraer, criada pelo governo militar brasileiro em 1969 para produzir o avião. O primeiro presidente foi Ozires Silva, que comandou a estatal até 1986. A fabricante foi privatizada em 1994. O primeiro contrato foi para produzir 80 Bandeirantes para a FAB (Força Aérea Brasileira). As entregas começaram a partir de 1973.

A partir daí, o Bandeirante permaneceria em produção por 18 anos, sendo construído em mais de 20 versões. A linha de produção foi encerrada no final de 1991, sendo que a última unidade foi entregue ao governo do Amazonas, em 1995.

No total, foram fabricadas 498 aeronaves, sendo 253 para o Brasil e 245 vendidas para o exterior, a clientes civis e militares de 36 países.

"Nunca imaginaria que daquele nosso projeto pioneiro nasceria a terceira maior fabricante de aviões do mundo", diz Ozires Silva. Há um ano, a Embraer batizou com o nome dele um dos protótipos do moderno E190-E2.

DEPOIS DO VOO, EMBRAER NASCEU

Um dos fundadores da Embraer, Ozires Silva, 87 anos, conta com suas palavras como foi a saga para construir o Bandeirante, cujo primeiro voo completa 50 anos neste mês. Confira:

Logo depois que me graduei, em 1962, fui convidado pelo criador do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o brigadeiro Casimiro Montenegro Filho (1904-2000), para trabalhar com aeronaves.

Reuni alguns colegas para tentar ver quais seriam as chances de produzir um avião que pudesse ser lançado no mercado internacional. O cenário era muito difícil. Cheguei a ouvir de um colega da FAB (Força Aérea Brasileira) que "avião não era coisa que se fabricava, era coisa que se comprava".

Deveria ser um avião que outros não acreditassem que fosse viável ser feito. Um avião que ninguém quisesse fazer.

Numa madrugada, recebi um telefonema do Neiva [José Carlos Neiva (1924- 2010)], que tinha uma fábrica em Botucatu, que depois a Embraer acabou comprando. Ele trazia junto um francês, o Max Holste, fabricante de aviões.

Tivemos que convencer o brigadeiro a contratar o Max. Não tínhamos dinheiro. Conseguimos hangar no CTA e começamos a pensar no avião.

Em 1957, o Brasil tinha cerca de 400 cidades servidas de transporte aéreo regular. Em 1965, só 45 cidades eram atendidas por transporte aéreo. Deu um estalo: isso poderia estar ocorrendo no mundo. Os jatos ficavam grandes demais e as pequenas cidades não tinham mais transporte aéreo.

Foi aí que surgiu a ideia de fazer o avião que depois ganhou o nome de Bandeirante. Começamos a reunir algumas pessoas, uns professores do ITA, gente do CTA, e todo mundo era funcionário público, não podia ganhar hora extra, e trabalhávamos inclusive de noite. O entusiasmo foi crescendo.

Tivemos sorte de o brigadeiro Paulo Victor da Silva ter sido designado para ser diretor geral do CTA. Ele acreditou no projeto e contaminou o ministro da Aeronáutica da época, Marcio de Souza e Mello.

No dia 22 de outubro de 1968, o avião voou. O espanto foi muito maior quando o avião pousou. Era um avião feito por malucos que decolava e pousava. Depois tivemos um voo oficial na presença do ministro, sempre cada vez mais entusiasmado com a ideia do Brasil fabricar avião.

E foi aí que, depois desse voo, começamos a pensar seriamente em como produzir esse avião. Nasceu a Embraer.

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