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Setembro 13, 2018 - 22:54

Zezé Motta abre a Festa Literomusical de São José

Paula Maria [email protected]

Ela já tinha o musical "Arena Canta Zumbi" (1965), de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal; e a peça "Roda Viva" (1967), de Chico Buarque, no currículo quando foi convidada a viver Xica da Silva, protagonista do filme homônimo lançado em 1976, dirigido por Cacá Diegues. "Um divisor de águas na minha carreira", cravou. Tinha chegado lá, sabia. A partir daquele momento, Zezé Motta seria um nome respeitado no cenário artístico.

Mas então olhou para os lados: "cadê todo o mundo?", questionou se referindo aos seus "irmãos". "Neste país, negros não fazem parte da grande mídia. E, naquele momento, percebi que o fato de eu estar fazendo sucesso não me dava o direito de me acomodar. Não tive dúvidas: passei a questionar, cutucar, discutir. Precisamos falar constantemente sobre isso", contou ela.

E foi aí que tudo começou. De lá para cá, Zezé nunca se furtou em defender as causas do movimento negro. "Precisamos de mais pessoas que nos deem dignidade. Zezé é uma dessas pessoas. Ela nos dá dignidade", declarou o ator Matheus Nachtergaele sobre a atriz e cantora fluminense.

E é usando a sua poderosa voz que Zezé vem a São José nesta sexta-feira (14). A atriz participa da Flim (Festa Literomusical), no Parque Vicentina Aranha, e, junto de Marcelino Freire, curador do evento, faz a abertura, às 19h.

No palco, a atriz solta o verbo sobre Carolina de Jesus, escritora nascida em uma comunidade rural de Sacramento (MG), e interpretada por ela no cinema.

"Carolina é uma figura importantíssima. Foi um privilégio poder interpretá-la, me deixou emocionada. É uma mulher tão importante e, ao mesmo tempo, desconhecida do público. Ela deveria estar no currículo escolar!", defendeu. "É direito de toda criança saber que existiu uma mulher humilde que, de catadora de papel, conseguiu escrever um livro, que tornou-se best seller traduzido em 17 idiomas e reconhecido pela ABL (Academia Brasileira de Letras)".

"Clarice Lispector era fã de Carolina. Quando a conheceu, falou: 'eu escrevo ficção e uso de licença poética, delírios... Já a sua escrita é real, é baseada na sua vivência. É um privilégio conhecê-la'. Ou seja, é obrigatório que todos leiam a sua obra", contou Zezé.

Nomes.

O evento segue até domingo (16) e tem na sua programação nomes de peso do cenário literário nacional. A linha temática desta vez é "Interiores". Além de Zezé, estarão no palco principal Conceição Evaristo, premiada escritora mineira, que figurou na disputa por uma vaga na Academia Brasileira de Letras, nos últimos meses; a cantora Ellen Oléria, as escritoras Jarid Arraes, Sonia Sultuane e Luna Vitrolira, entre outros.

Também aguardada, estará por aqui no último dia do evento Fabiana Cozza, premiada cantora e sambista paulistana e que recentemente desistiu dar vida no teatro a cantora Dona Ivone Lara, por conta de protestos nas redes sociais que diziam que a atriz tem a pele clara demais para interpretar a lenda do samba.

"O racismo se agiganta quando transferimos a guerra para dentro do nosso terreiro", cravou na ocasião em texto publicado no Facebook.

A homenageada da vez é Ruth Guimarães, escritora de Cachoeira Paulista, primeira autora negra a receber reconhecimento nacional. Seu primeiro romance, "Água Funda", traz o universo caipira do Vale do Paraíba. Com mais de 40 livros escritos, ela ocupava a cadeira 22 da ABL (Academia Paulista de Letras).

Serviço.

O parque fica na r. Eng. Prudente Meireles de Moraes, 302, Vila Adyana. Entrada gratuita..

 

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