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Política
Agosto 08, 2018 - 23:55

Verba pública também custeava 'guloseimas' para os vereadores de Taubaté

Notas Taubaté

Notas Taubaté

Foto: Reprodução

Itens como bandeja de pé de moça, cocada, copos de sorvete da Häagen-Dazs, barras de chocolate e até caixa com seis trufas, comprada em Campos do Jordão, foram adquiridos com dinheiro público em viagens oficiais

Julio [email protected]

Além do esquema usado pelos vereadores para 'inflar' as notas fiscais e garantir mais verba de ressarcimento da Câmara, a 'Farra das Viagens' mostra outro dado curioso: a compra de doces de diversos tipos com o dinheiro público.

Esse tipo de despesa não era expressamente vedado na norma interna vigente à época do caso - as notas fiscais são relativas a processos de viagens oficiais de janeiro a maio de 2017 -, que citava apenas que o ressarcimento cobriria gastos com "alimentação". No entanto, a prática mostra o uso de verba pública para despesas com itens que não são indispensáveis em uma refeição.

A vereadora que mais registrou gastos dessa natureza foi Gorete Toledo (DEM). Em uma viagem a Campos do Jordão, por exemplo, a parlamentar apresentou uma nota pela compra de uma caixa com seis trufas em uma doceria. Em outras viagens, para São Paulo, a vereadora do DEM registrou gastos com itens como bandeja de pé de moça, cocada e dois copos de sorvete da Häagen-Dazs.

Outra vereadora, Graça (PSD), em uma só refeição registrou um pudim de doce de caramelo, um Toblerone e uma barra de chocolate - isso depois de comer dois pedaços de pizza, um kibe e uma sopa, e tomar uma refrigerante e uma água.Além desses exemplos, há vários casos de consumo de chocolate, balas e chicletes.

Desde o dia 31 de julho a reportagem questiona Gorete e Graça sobre essas notas fiscais, mas não houve resposta. O presidente da Câmara, Diego Fonseca (PSDB), também não comentou se considera apropriado o uso de verbas públicas para o consumo de doces e outros itens tidos como dispensáveis.

ESCÂNDALO.

O caso da 'Farra das Viagens' foi revelado pelo jornal no mês passado. Uma das artimanhas consistia em apresentar notas fiscais com despesas de mais de uma pessoa, o que é proibido. Um vereador, por exemplo, diz ter comido quatro rodízios em uma refeição.

Outra irregularidade consistia em apresentar notas fiscais com valores acima do razoável (até R$ 424) e com consumo de quantidade improvável de comida (até 4,4 quilos).

Os dez vereadores citados no escândalo são investigados pela Promotoria do Patrimônio Público, na esfera cível, e pela Polícia Civil, na esfera criminal. Também foram denunciados em um processo interno, que pode levar à cassação dos mandatos na Câmara..

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