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Agosto 09, 2018 - 23:56

Gestão Felicio dá início à retirada de famílias da favela do Banhado

Banhado

Banhado

Foto: /sdfsdd

Quatro famílias aderiram à proposta da prefeitura, que promete auxiliar financeiramente os moradores que deixarem o local; comunidade na região central de São José conta com moradores há mais de cinco décadas

Thais Perez e Thaís [email protected]

Depois do anúncio de uma 'ofensiva' pela prefeitura para retirar as famílias do Jardim Nova Esperança, a favela do Banhado, os primeiros quatro imóveis foram desocupados na manhã desta quinta-feira na comunidade localizada na região central de São José dos Campos.

Esses moradores integram ao grupo de nove famílias que aderiu à proposta da administração do prefeito Felicio Ramuth (PSDB), que promete arcar, por tempo indeterminado, R$ 700 de auxílio aluguel, além de R$ 2.300 para a mudança e mais R$ 2.700 para a demolição do imóvel no Banhado. Documentário produzido pelo OVALE mostra que, no entanto, a ideia encontra resistência da maioria dos moradores.

"Não sabíamos de nada. A gente é pego de surpresa, porque o que a prefeitura quer é isso mesmo, acabar com a gente. Eu só saio daqui morto", declarou Davi Morais, de 67 anos, que é líder comunitário do Banhado e já vive nesta área há 58 anos.

Ele afirmou que depois da saída de algumas famílias, entulhos são deixados no local, que prejudicam a comunidade. "Eu tive até que contratar uma empresa para vir aqui retirar o entulho", disse Elaine Lopes, uma das moradoras do local.

De acordo com a prefeitura, a saída das famílias é necessária devido às condições de insalubridade e a mínima qualidade de vida no local.

Rafael Meirelles, de 30 anos, é uma das pessoas que aderiu ao programa da prefeitura. Ele nasceu no Banhado e nesta quinta estava demolindo sua casa, que não estava ocupada há quase dois anos, já que ele e sua família pagam aluguel em uma residência no Putim, zona leste da cidade. "Eu já não estava morando aqui. Olha a valeta. Dá meia hora de chuva e ela invade tudo. A casa estava vazia. Não tem condição de viver aqui com meus filhos."

O diretor de Desenvolvimento Comunitário, Sérgio Tarzia, afirma que as famílias podem se deslocar para qualquer local da cidade. "A sacada do projeto é essa deixar que eles se desloquem para onde quiser. Uma das reclamações dos moradores é essa aí, diziam que a prefeitura colocava em programas habitacionais longe do centro, por exemplo."

O auxílio moradia está disponível por um período de 36 meses, podendo ser renovado ou não.

Em entrevista ao OVALE, o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) negou que haja projeto para a construção da Via Banhado. "Nosso projeto nesse momento é oferecer melhor qualidade de vida para quem vive nesse local", disse.

RESISTÊNCIA.

A ação dos gestores municipais vai contra o posicionamento da maioria dos moradores do Jardim Nova Esperança, que afirma não haver justificativa para que deixem a comunidade. "A prefeitura não quer saber de pobre no centro da cidade", afirmou o líder comunitário.

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