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Agosto 09, 2018 - 23:56

Rebelião no CDP de Taubaté durou 30 horas e teve 13 reféns

CDP

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Foto: Rogério Marques / OVALE

Últimos reféns foram liberados no início da noite desta quinta-feira; treze pessoas, dentre elas dois agentes penitenciários e 11 religiosos, estavam sendo mantidas no local pelos detentos desde a tarde da quarta-feira

Thais [email protected]_thaisperez

A rebelião no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Taubaté chegou ao fim por volta das 19h desta quinta-feira. O motim contabilizou quase 30 horas com 13 pessoas foram mantidas como reféns.

Segundo apurou O VALE, por volta das 17h30 os pavilhões da unidade começaram a ser liberados e os detentos revistados pelos agentes penitenciários e equipes do GIR (Grupo de Intervenção Rápida).

De acordo com a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) informou que os religiosos foram liberados às 19h26 e os agentes penitenciários, às 19h35.

A rebelião que durou 26 horas, começou no início da tarde de quarta. Barulhos de explosão e tiros teriam assustado pessoas que moram próximo ao CDP, localizado na rodovia Amador Bueno da Veiga.

De acordo com a Polícia Militar, os detentos colocaram fogo em roupas e colchões, além de arrancar portas.

Seis dos oito raios, como são chamadas as alas da unidade, foram depredados e tomados pelos detentos. Em um dos raios, que ainda não havia sido dominado, os detentos abriram um buraco na parede para ter acesso aos outros presos, que foram transferidos para outra cela. O local também foi incendiado.

De acordo com familiares de detentos, pessoas que tiveram ferimentos ou que precisam de atenção médica foram separados dos demais presos.

Alguns familiares que acompanhavam a ação do lado de fora do CDP foram levadas para conversar com detentos durante a rebelião.

A primeira pessoa liberada, uma religiosa, foi solta ainda na tarde de quarta-feira (8). Outro deixou o local na noite do mesmo dia. Já na manhã desta quinta, um religioso saiu por volta das 8h20 e outro às 10h. De acordo com a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), mais dois religiosos foram liberados, por volta das 14h47.

A pasta esclareceu ainda que um dos reféns libertados na noite de quarta-feira (8) foi contado duas vezes, pois quando entrou na unidade entregou dois documentos. Os dois agentes penitenciários foram os últimos a serem liberados.

De acordo com Fábio Ferreira 'Jabá', presidente da SIFUSPESP (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo) o motim teria acontecido depois que um dos agentes ficou sozinho em uma cela de detentos. Segundo ele, esse agente teria reagido quando os detentos começaram a tomar o controle e houve uma briga física. "Há um deficit de 30% no número de agentes, se tiver 15 funcionários, é muito", disse Jabá.

Durante a liberação de reféns durante a tarde, os detentos teriam entregado uma pauta a direção da penitenciária, que não foi divulgada. "Até ontem [quarta-feira], não havia pauta nenhuma, a ordem é para quebrar a cadeia", afirmou o presidente, que especulou que as ordens teriam vindo da facção PCC (Primeiro Comando da Capital). Nenhum refém ficou gravemente ferido.

Presos reivindicam melhorias no presídio, de acordo com o depoimento de familiares

Familiares de detentos que participaram do motim afirmaram que a rebelião teve como objetivo reivindicar melhorias no CDP. Mães e companheiras dos detentos do CDP de Taubaté, acusaram a unidade de atendimento precário. Elas afirmam que os presos sofrem opressões como negligência médica e omissão de socorro, acomodação indevida, falta de água e outros cuidados básicos. "Eles são omissos, esperaram estourar para depois resolver", disse a esposa de um detento, conhecida como 'Baiana'. Ela afirmou que agentes jogam fora comidas levadas pelos familiares para os detentos. Alex Pereira, ex-detento do presídio relatou que já sofreu maus tratos no local. "Já cheguei a tomar tiro aqui e não deram boletim de ocorrência para a polícia", disse. 

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