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Agosto 09, 2018 - 23:51

Aumento de salário não é o melhor para o Brasil, diz Cármen Lúcia

Cármen Lúcia

Contrariada. A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, votou contra o reajuste do próprio salário

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O reajuste dos salários foi votado em sessão administrativa na noite de quarta, quando foi aprovada a inclusão no orçamento do Poder Judiciário de 2019, a ser encaminhado ao Congresso, alta de 16% nos vencimentos dos ministros

Felipe PontesAgência Brasil

Ao comentar nesta quinta-feira (9) o resultado da votação de quarta-feira, em que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovaram o aumento de seus próprios salários, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, disse não se envergonhar de ter sido vencida no tema, por estar convencida de que não era o melhor para o Brasil. "Perco quase todo dia, ontem perdi, provavelmente hoje perco de novo em alguma votação. Mas eu não queria estar ao lado dos vencedores", disse a ministra, que votou para que os salários permanecessem em R$ 33,7 mil por pelo menos mais um ano.

O reajuste dos salários foi votado em sessão administrativa na noite de quarta, quando foi aprovada a inclusão no orçamento do Poder Judiciário de 2019, a ser encaminhado ao Congresso, o aumento de 16% nos vencimentos dos ministros, que poderão chegar a R$ 39 mil.

Votaram a favor do aumento os ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Alexandre de Moraes. Cármen Lúcia votou contra o reajuste, assim como os ministros Rosa Weber, Edson Fachin e Celso de Mello.

"Os que venceram e como venceram não era o que eu queria mesmo, e continuo convencida de que não era o melhor para o Brasil", disse a presidente do STF. "Às vezes lutamos muito, mas não ganhamos, mas o objetivo de lutar pelo Brasil e conviver com o diferente que muitas vezes vence faz parte da democracia", acrescentou.

As declarações foram dadas durante um evento sobre os 30 anos da Constituição, em uma universidade particular de Brasília..

DEFESA.

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Guimarães Feliciano, disse nesta quinta-feira que a proposta dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de reajustar seus próprios vencimentos em 16,38% é uma "questão de justiça e de coerência" que contribui para preservar a independência do Poder Judiciário. Segundo ele, "para o Judiciário, isso é uma questão de independência, inclusive para que os juízes possam julgar os poderosos sem temer retaliações". Ao contrário de especialistas, Feliciano sustenta que a aprovação da proposta não acarretará impactos ao Orçamento Geral da União. "O impacto para a sociedade é nenhum, já que, em tese, os recursos virão do Orçamento do próprio Judiciário"..

 

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